fé nada institucionalizada

Hora do desdito (23:21)

Uma cabeça plúmbea cai em meu colo
Olhos encantandos por várias luas quebradas
Gentilmente afasto pequenas formigas vermelhas de sua miséria
A carne ainda não bastava
E o sorriso ressequido – feito à lâmina – era para outra
Uma prece surda repetia-se pelas frestas, brechas e vãos do meu casulo
No interior dessa loucura porosa
outra razão sucumbe ao desejo insatisfeito
Parece-me um válido acidente,
dispensando quaisquer fluídos
Atrás de uma perdida há a cruz
e ela não queima, a ferida é outra


a percepção calada costuma apontar para alguma nitidez. não me recordo de quando escrevi o poeminha acima, mas foi nos últimos meses. passei alguns anos sem escrever, procurando rabiscar algo que pudesse ser meu e facilmente articulado com um momento específico. de repente a qualidade dos “textos” deixou de ser importante, basta-me conseguir escrever.


a hora do desdito não será esquecida e a razão para a expressão também não. acho que nunca acreditei em um grande salvador, mas busquei respeitar todos fiéis. entretanto, alguém se colocar como porta-voz de algo nada palpável causa-me verdadeiro horror. por enquanto estou livre desses espécimes.

snakebites

Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

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