entre a cosmopolita e a caipira

Sou paulistana e não é sempre que aponto  tal característica com orgulho. Acredito que a sensação seja estranha pela afeição à coisa interiorana que (ainda) pulsa em mim.

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Encaminhando-me preguiçosamente (e não no sentido mais bucólico do termo) para o seminário do CEDEC (no dia anterior um argentino colocou três membros do público – dois deles professores! – para dormir ao argumentar sobre a questão nacional e o império: ultra boring)… Hm, retomando à vaca fria, fui pro seminário já pensando em como me despedir de sampa.

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Comecei com um café da manhã na padaria: suco de laranja para homenagear a família Cutrale, café para brindar a vocação agroexportadora  e um terrível lanche de peito de peru por uma questão melancólica. Findada a primeira etapa peguei o metrô, cheguei na Consolação. Daí, meu cérebro iniciou o temido processo de formigamento: qual rumo seguir? O adequado seria pegar o ônibus. Seria? Seria. Todavia, desde o dia anterior fiquei com vontade de passear e conhecer a tal da linha amarela. E o espectro antropológico agitava minhas entranhas… Sem receio andei, andei e me descobri assombrada com a combinação de modernidade (base intelectual) e modernização (base material) numa estrutura para fins públicos e pelas mãos e braços da social-democracia (à brasileira) e sublinho: acredito na correção do espanto segundo esses termos…

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Ao lado de tantos rostos preocupados o meu deve ter sido um tanto dissonante. Fiquei maravilhada e isso costuma ocorrer apenas quando me deparo com fios de atraso e moderno entrelaçados e não embaraçados. Meu entusiasmo infantil não foi sublimado (sair do habituée sem motivação racional não é uma frequente).

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Bem, desci na Faria Lima, busquei a Rebouças e enfim cheguei boba para dividir, compartilhar a experiência, mas ocorreu um atraso entre café e passeio embasbacado por vidro e metal… O seminário já havia começado…

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Ah, o seminário da manhã, “O lugar das ideias”, com a mesa composta por Marcelo Jasmin (PUC-RJ), Robert Chilsholn (Columbia Basin College – E.U.A.), Angela Alonso (USP) e Élide Rugai Bastos (Unicamp) como debatedora valeu por todas as mesas anteriores. Foi revigorante perceber que ainda existe novidade no campo do pensamento político-social brasileiro… Há tempos que eu não me sentia à vontade dentro da academia (rational choice dos infernos…): teve lenha em cima dos liberalismos, formas de democracia segundo o contexto histórico, sociologia do conhecimento, pensamento autoritário, intelectuais dos anos 1920’s a 1950’s. entre outros blahs bem bolados… Em suma, até fiquei com vontade de escrever a tese…

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snakebites

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PS – Alguém pode me explicar o motivo do metrô custar R$ 0,05 a menos do que o ônibus / ou o ônibus custar R$ 0,05 a mais do que o metrô? De qualquer forma carésimo, mas não entendo o buzão custar mais.

Super vagão lindinho:

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Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

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