questão de gênero

gênero e direito

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A questão de gênero sempre me pareceu cansativa. Reconheço a importância, percebo o descaso numa discussão pública efetiva, mas confesso nunca ter me empenhado em análises mais aprofundadas.

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Quando eu estava no terceiro ano da graduação, cursando Sociologia Contemporânea tive a possibilidade de realizar um trabalho acerca da temática, mas meu brio em “descer a lenha” sempre esteve (ainda está) direcionado à Igreja Católica e, logicamente, caí na pior das encruzilhadas e meu exercício de conclusão ficou em cima da pedofilia (dá pra ser mais clichê?). Todavia, o assunto ainda me incomoda horrores. Não me recordo do motivo de ter passado pro ano subsequente (trabalhinho muito do mais ou menos)…

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De qualquer maneira, ainda muito timidamente, estou buscando novas possibilidades de exames sobre a temática. Fugindo a todo custo de feministas (minha problemática relação com o núcleo feminista advém da estagnação de ideias, com certeza há em algum lugar processos de renovação no pensamento. Entretanto, além de não ter encontrado esse frescor… o debate muitas vezes fica emperrado na avaliação de conquistas do século XX – fantásticas, mas move on, folks!).

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Hm, recolhendo a pipa… Tô abusando de maneira irregular e altamente displicente de um misto Gianotti plus Werneck: Retomando à vaca fria… Na semana passada estive num evento do CEDEC. E entre o cansaço das comunicações que nada tem a ver com a minha pesquisa trombei assustada com uma informação (óbvia, reconheço minha ignorância…) sobre o voto feminino. Era um estudo comparado sobre republicanismo e constituição (Brasil, Estados Unidos e França). E, qual não foi a minha surpresa ao ver esses números (datas de quando as mulheres começaram a votar):

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EUA – 1920

Brasil – 1932

França – 1945 (dá pra acreditar?)

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Ao contrário da maioria dos países, em que o movimento sufragette foi conduzido por mulheres, aqui, na Terra de Pindorama quem começou a conversa sobre o assunto foi um homem, o intelectual e constituinte César Zama (lá pelo final do século XIX). O intelectual defendeu o sufrágio universal (mencionei que a fala do homem ocorreu no andamento de nossa primeira Constituição, isto é, 1891? Não, não estou me esquecendo da de 1824, mas aquilo é coisa do Império… assunto ultra boring). Sabemos que não vingou, mas dá para não se apaixonar por esse idealismo? Anotei a frase dele e que faz parte de uma das linhas que trabalho (uma mescla de advantages of backwardness e cultural lag): “Bastará que qualquer país importante da Europa confira-lhes direitos políticos e nós o imitaremos. Temos o nosso fraco pela imitação” (talvez eu tenha perdido uma ou duas palavras no processo de lembrança, mas a ideia é essa daí). Alguns países europeus implementaram o sufrágio universal antes do nosso (Grã-Bretanha em 1928, por exemplo), mas dá pra acreditar na França? Sei lá, fiquei um tanto orgulhosa, nada beirando o ufanismo, mas que fiquei orgulhosa da querida Pindorama, ah isso fiquei!

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Eu não me interesso pelo blah-blah de conquistas passadas, mas pela conversa sobre as estruturas de pensamentos e o desenvolvimento dos mesmos segundo processos históricos (e essa é a minha justificativa para a existência do parágrafo acima. Ademais, não estudo vitórias, mas insucessos… Ah, e outra: não estou no debate e além de não estar no debate não pertenço à coisa de formulação e implementação de políticas públicas).

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[será a justificativa excessiva um elemento do meu transfigurado métier ?]

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Mais um ponto importante sobre a questão de genêro… Como já apontei, não sou uma estudiosa do tema au contraire, mon frère… Não sei se meu raciocínio vai um pouco além do senso comum, mas intriga-me deveras observar que o debate não consegue sair dos limites da academia e/ou das débeis vozes dos partidos esquerdistas (você entendeu o que eu quis dizer, no saco vermelho o PT não entra!). Ontem tive uma acalorada discussão sobre a distinção de casamento e união civil. E fui obrigada a fazer uma defesa impensável (é é é, não pode-se dizer que eu seja fã da Marina): A candidata não é contrária à união civil, mas ao casamento homossexual (religioso). E eu me pergunto, por qual motivo um gay vai querer um padre católico para se casar? A hipótese parece-me – no mínimo – incongruente (http://bit.ly/aChz9V).

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Hm, acho que o calor de hoje (absurdos 35º) deixou-me mais ranzinza do que o de costume… Quando eu gastaria meu tempo para um blah blah sobre gênero? Hm, acho que quando eu tenho um trabalho sobre rational choice pra entregar… Quer saber? O secular (em toda acepção) Levi Strauss estava mais do que certo: É impossível fazer ciência nos trópicos!

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snakebites

Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

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