Muralhas

Há tempos (nunca somados) sinto vontade de retomar a poesia de Kaváfis. Também há tempos eu pensava em transformá-lo em objeto de estudo, mas graças à “santa mão” das Ciências Sociais não fiz tal temeridade (fiz outras, menores). Já apontei que não sou adepta da poesia, meu coração sempre esteve e, acredito que sempre estará na prosa. Entretanto, deixei que o alexandrino-grego (risos) me conduzisse por toda espécie de tortura e êxtase. Não há arrependimento algum, mas ele me deixa mais melancólica e negligente com certos aspectos da vida. Apesar do cenário precisei do velho Kaváfis… (só por hoje).

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MURALHAS

Sem consideração, sem piedade, sem pudor,

grandes e altas muralhas em torno de mim construíram.

E agora estou aqui e me desespero.

Outra coisa não penso: este destino devora meu espírito;

porque muitas coisas lá fora eu tinha que fazer.

Ah! quando construíam as muralhas, como não dei atenção?

Entretanto, jamais ouvi batidas ou rumores de pedreiros.

Imperceptivelmente, encerraram-me fora do mundo.

                                                                                                                     Konstantino Kaváfis

 

Crédito imagem: http://descontexto.blogspot.com/2010/12/murallas-de-konstantinos-kavafis.html

snakebites

Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

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