O véu de ignorância

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Não posto há tempos. Talvez nem tenha postado algo neste março de 2011. Não é sem motivos, meu note deu pau (oscilação de energia) e algo muito ruim com um trem chamado FAT aconteceu, todos os meus arquivos estão desesperados atrás de salvação, ainda não sei se ela virá. De qualquer forma estou transcrevendo todos os manuscritos de caráter acadêmico para o PC. A vida era mais fácil com a minha dura doce Olivetti-Tropical, apesar de minha ausência de talento como datilógrafa (e muitos dedos ralados por conta disso), a única preocupação em perder um texto era pelo fogo (e eu também não tenho talento para a pirofagia, tampouco sou piromaníaca … ) Ah, bons e velhos tempos. Eu já deveria ter aprendido que o único bote para me salvar das intempéries modernosas é o tal do backup. Fica pra próxima. Já deixei um post-it grudado na CPU para evitar danos futuros [a vida agora é em nuvem].

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Hm, explicando o título do post. Hoje fiquei com Rawls na cabeça, martelando tudo o que o danado me apresentou. Não, nada tenho com a propalada “teoria da justiça”. Para falar a verdade, nem sei onde alocar o Rawls. Ciência Política ou Filosofia Moderna? (provavelmente subsistem outras opções não escrutinadas por esta escriba)

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Bem, quando fui estudar o Halls (sorry, piada interna e nem por isso menos besta… eu sei!) encontrei o conceito de “véu de ignorância” e confesso que fiquei surpresa. Foi o primeiro texto após um ano de Ciência Política (o curso, meus caros, o curso!) que procurava fazer uma abordagem mais imagética e lírica da teoria. E eu sou dessas pessoas que precisam conseguir enxergar pra entender (deficiência minha, eu sei… ok?). Acho que não me falta imaginação sociológica, mas noutros campos não tenho me saído de maneira muito razoável. Bem, voltando ao véu:

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Observem a “bacanosidade” da ideia de Rawls: Imaginem desconhecer tudo, do mundo social às preferências pessoais. Ah, vocês também não tem o conhecimento da concepção de bem. Agora imaginem que a situação envolva todas as pessoas, daí o “véu de ignorância”, todos estão sob ele. Em tal situação hipotética Rawls apresenta a “posição inicial de igualdade” (logo de oportunidades também)… Não sou especialista no tema (distância anos luz), mas a ideia de que, ao ignorar a posição social o indivíduo passe também a se identificar com qualquer outra pessoa tem seu charme, não?  A concepção distributiva vem a reboque… Ai, tô com canseira mental…  E, embora minha intimidade com a Ciência Política esteja engatinhando, acho que algo de bom está acontecendo.

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Ah, dica cinéfila pra qualquer dia e hora, mas para ambas faz-se necessário um estômago menos sensível:

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Fargo (1996) – sem dúvida um dos melhores filmes dos irmãos Cohen. Saiu naquela Coleção Folha (vhs), lembram? Deixei de ter videocassete e passei a fita pra frente. Arrependimento doloroso, quantas vezes não morri de vontade de voltar a Fargo e assistir um William H. Macy abestalhado e uma Poirot Frances McDormand? Mas nada de encontrar a peça nas videolocadoras. Mês passado a Fnac me brindou com a possibilidade de consumo de  algumas preciosidades (R$ 9,90 o filme!) e Fargo estava lá! [desnecessário dizer, mas a Fnac não me dá quaisquer vinténs, apenas gasto meus parcos níqueis por lá… e de vez em quando consigo acumular o suficiente de pontos para um dvdzinho, um cdzinho e por aí fica… rs].

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Sinopse: Homem não muito esperto, atolado em dívidas. Macy faz um revendedor de carros que trabalha na empresa do sogro, para virar a mesa o danado decide ganhar uma graninha pra montar o próprio negócio. Como? Sequestrando a própria esposa. Como? Chamando dois bandidos, um deles interpretado pelo sempre incrível Steve Buscemi. Daí é uma comédia de erros com a dose de humor negro (e sangue, claro) dos irmãos Cohen. Pedida perfeita… E, o sotaque? Pedida perfeita. Tenho uma fraco pelos irmãos Cohen, até hoje eles só me tiraram de linha (pra xingamento) com a obra de estreia (“Gosto de sangue”), no mais… os caras são uma pedida perfeita (hm, acho que já falei isso… rs).

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A outra dica, não tem humor, mas o estômago potente continua sendo útil para chegar ao “The End”, trata-se de “The Machinist”, acredito que aqui tenha sido traduzido para “O operário”. Em uma das raras ocasiões em que não fui presenteada com roupas ou bebidas (!).

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The Machinist (2004) – “o” filme de Christian Bale como ator (e não foi por ele ter perdido quase 30 quilos pra fazer o filme, ok? Bale está maravilhoso). Sabe aquele filme que você achou fantástico, mas ficou com a sensação de cabo de guarda-chuva na boca? Bem, eu tenho isso com vários filmes. Demoro pra conseguir assistir novamente “Requiém para um sonho”, por exemplo, do – atualmente – muito cultuado Darren Aronofsky, tem o propósito de te deixar desconfortável e faz isso de maneira brilhante. Enfim…

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Bem, voltando ao Operário. Assisti (assim como Fargo, apenas uma vez) e a sensação de ressaca veio antes do letreiro. Pra ser honesta, a primeira cena do filme já diz a que veio. Só de fechar os olhos já “sinto” uma iluminação lúgubre e percebo um tom azul-esverdeado-cinza assustador. O filme é dirigido por Brad Anderson. Quem? Estou com vocês, também não conheço outros trabalhos do cara.

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Sinopse – O personagem de Bale não dorme há praticamente um ano (ele está destroçado física e mentalmente). Pra somar tragédia à vida que leva, o emprego dele consiste em mexer com maquinário pesado. A ausência de sono derruba completamente a sua percepção de mundo/realidade e o que vemos é uma escalada de horror psicológico, paranoia…  O drama ganha ainda mais intensidade quando um colega de trabalho perde um braço e ele começa a questionar tudo (e todos) ao seu redor. >

snakebites

Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

6 Responses to O véu de ignorância

  1. Pablo disse:

    Estou aqui pensando se um gerente de banco que ignora que é gerente, se ele se identifica tanto com o executivo do seu banco quanto com a faxineira do local. Só nos identificamos com o que queremos ser… daí a fonte de tudo: inveja, alegria, ódio, amor, distinção, ambição. Essa ideia só vale para franciscanos, beneditinos (não sei se para jesuítas…). Que conceito idiota (kkkk). Passe-me a referência bibliográfica mesmo assim, gostei da indicação…

    • eudoras disse:

      Pablito mio, a pessoa desconhece a posição social e o caráter que isso representa. daí a possibilidade de existir identificação com quaisquer seres sociais… (rs). Outra coisa, o que Rawls tá falandoo não chega a ser hipótese ele eestá construindo um ideário do devir (eu acho… rs). Sabe a briga chata com os tipos ideais de Weber? Acho que é nessa linha que dá pra observar o Rawls…
      Em relação às referências… Bem, só li (completos) dois textos. Como disse, não sou uma expert (muito longe disso).
      Teoria da Justiça ou Uma teoria da Justiça (sempre me confundo…)
      Justiça como Eqüidade
      Guardei um site bacaninha sobre o Rawls (http://www.discursus.250x.com/moderna/1teodjus.html)
      Caso esteja (mesmo) interessado dê uma olhada em http://www.fflch.usp.br/df/site/publicacoes/primeirosescritos/09.Flavio_Azevedo_Reis.pdf
      Bitocas e releve meu blah blah blah de c.p. ainda estou cheirando cueiros, certo?

      • Pablo disse:

        Eu gosto do seu “blábláblá….”… continue com eles. E obrigado pelas referências. Bjks no coração.

  2. eudoras disse:

    Nerdo mais do que querido, estou tentando me entrosar com a CP e vc já quer me conectar com filosofia hindu (sim, tô chutando… acertei?)?
    Até havia me programado, mas deu um pau doido no laptop… Então, já viu, né? Quarta estarei por sanca, aí quem sabe vc me paga “aquele café”?
    Bitoca

  3. Ben Hazrael disse:

    Nerda querida, realmente vc estava mais desaparecida que o deputado Romário em plenário da Câmara! óia, esse conceito de “veu da ignorância” se não é similar é um genérico do conceito upanishádico (escreve assim? heheh) de mâyâ. É bem interessante, se tiver curiosidade te passo uns links legais sobre.
    Óia, esperava vc aqui pela I Jornada de Políticas Públicas! Até sua irmã Jeanne apareceu!
    Bjocas no coraçao!!!

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