pesquisa de opinião, reflete o quê?

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Num post sobre pesquisa de opinião expressei, como tantos outros, o descrédito no formato das pesquisas de opinião. Hoje o processo é similar, mas noutra vertente. Dando uma olhada nas enquetes da FSP as perguntas mais cretinas pululavam e, sem muita introdução ao assunto. Mas o que me levantou a sobrancelha foram os resultados. Numa pesquisa há um apoio praticamente maciço para que as prostituas de Bonn (antiga capital da Alemanha Ocidental) paguem imposto por meio de um parquímetro (60% a 40%). Não entrarei no mérito do ridículo, mas da surpresa do resultado. Tenho dito que o conservadorismo está ganhando em todas as frentes. Até entendo que os cidadãos mais do que “respeitáveis” e “honestos” queiram punir de alguma forma as pessoas da vida “fácil“.

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Formamos a nação mais hipócrita de que se tem notícia. Há país com a alegria mais desnuda durante os festejos de carnaval? Onde tudo é permissivo permitido? Compreendido, mas não entendido o resultado da enquete. Deparei-me com outra questiúncula (imagem acima): “Nova York começou a celebrar os primeiros casamentos entre gays depois que entrou em vigor a lei que permite a união no Estado. Você apoia essa medida?”  Resultado: 58% não e 42% sim. Confesso ter pleno conhecimento de como a receptividade para uma possível implementação na esfera federal por aqui não seria das mais harmônicas (imaginem a revolta beata que se daria na Avenida Paulista!).

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Mas meu pensamento rondava outro espectro: qual é o público da FSP online nos dias atuais? Há muito que é impraticável pensar num grupo de leitores identificados ideologicamente segundo o jornal lido, correto? O OESP era da direitaça e a Folha de um pessoal um pouco mais à esquerda, correto? Minhas caraminholas dizem que o tipo de enquete reflete um padrão para agradar um público determinado: o conservador e os nossos “tea party” estão em todas as esquinas. Até no formato da pergunta! Recordo-me das horas gastas procurando organizar questões que não direcionassem a resposta. A ideia (minha ideia) era descobrir algo, não me sujeitar ao que eu gostaria de encontrar.

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Despeço-me ao som de “Caminito”, Gardel!

 

 

snakebites

Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

2 Responses to pesquisa de opinião, reflete o quê?

  1. eudoras disse:

    Pablito,
    Na realidade, a FSP chegou a ser muito pró-ditadura nos anos 70’s. Contudo, eles mudaram a linha editorial nos últimos respiros da ditadura, apoiando a democracia ao encampar o movimento das diretas de maneira aberta. E, com isso, ganhou a parcela mais branda da esquerda intelectualizada. Todavia, o processo não durou muito… Durante o mestrado tentei pensar em fazer um projeto paralelo para ver como funcionavam as linhas editoriais dos principais jornais de S. Paulo durante o interregno democrático até as diretas (depois entendi que só dava pra levar a cabo um projeto…. rs). Caso a questão te interesse, dê uma olhada no livro sobre a História da Imprensa no Brasil, do Sodré.
    Beijos

  2. Pablo disse:

    Gostei do seu texto; só não sabia que a Folha era de esquerda, sempre li OESP.

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