Por Deus, pela família, por amigos…

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O gosto é amargo. Quando estamos à mesa e tem jiló sabemos o que vamos enfrentar. Nos últimos meses fui para São Paulo me juntar à pluralidade de gente que acredita na democracia, acredita na Constituição de 1988. Estive na avenida Paulista, na Praça da Sé e ontem tomei coragem para enfrentar 300 quilômetros e, novamente, colocar minha voz a serviço de milhões de brasileiros que tem conseguido um quinhão do que a Constituição aponta como necessário à sobrevivência. E o Vale do Anhangabaú estava lindo.

A lógica, a racionalidade e os anos de estudo não estiveram ditando os meus passos, fui na esperança de que talvez a votação de ontem pudesse ter um resultado diferente do esperado. Imaginando o amargor não deixei minha voz abater: “Não vai ter golpe, vai ter luta”. E minha voz nunca esteve atrelada ao desastroso governo Dilma ou quiçá o Partido dos Trabalhadores. São atropelos na liberdade de expressão, do ir e vir. São machadas na preservação de nossos índios, de nossas florestas. É o desrespeito com o trabalhador (de ajustes fiscais, reforma da previdência, terceirização, flexibilização de conquistas trabalhistas suadas). É a morte diária nas variantes das questões de gênero (mulheres, população LGBTT). É a negação do valor da vida do negro, do pobre, dos sem teto, dos sem-terra. São as muitas vezes em que formas diversas de fé foram tombadas como ridículas e, em certa medida, hostilizadas. Foram muitas as omissões e os erros que um sistema de política de coalizações criam. Mas existem também os equívocos acima de qualquer necessidade de alianças partidárias espúrias. O PT não soube e, aparentemente, não consegue ler a realidade à frente.

Fica a questão que tem abatido os melhores dentre nós, pensadores do Brasil: como defender o indefensável?

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A resposta é complexa e doída e não cabe neste blogue ou em qualquer outro meio. Serão necessários esforços de intelectuais comprometidos em conhecer esse país para um dia conseguirmos entender esse momento.

Um país que amargou duas décadas de um regime de exceção, de uma ditadura branda, de um regime militar ou a forma que queira chamar o período em que vivemos de 1964 a 1985 ter gente às ruas pedindo uma repaginação daquele momento pode levar qualquer historiador à insanidade.

O que me causa espanto desde as manifestações de 2013 à votação de ontem na Câmara dos Deputados não é assistir a fala favorável a um regime militar. Olhando rapidamente para o Congresso ainda vemos artífices da Arena (!) Mas o que chega a causar ânsia é observar a quantidade de jovens apregoando esse ideário fascista. Assim como ver que o deputado Jair Messias Bolsonaro cresce e não dá mais para questionar o capital político que ele vem angariando. Talvez meu otimismo de Cândido olhe para os dados de quais políticos brasileiros tem o maior número de seguidores como a possibilidade de ter gente querendo apenas acompanhar as atrocidades ditas pelo deputado. O mesmo deputado que ontem utilizou o voto e a fala para homenagear Brilhante Ustra, o temido Coronel chefe do DOI-Codi.

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Mesmo quem aponta o período de 64 a 85 como ditabranda ou apenas regime de exceção à prática democrática consegue tecer algumas linhas sobre as restrições de expressão e de associação. É de um absurdo nunca visto em qualquer lugar da história (ocidental ou oriental). O grito dessa parcela da população vem de onde? Como pedir que limitem a sua liberdade de fala utilizando uma liberdade de fala conquistada por não viver em tempos de restrição dessa mesma fala? Há intelectuais de peso chamando essa parcela da população e os políticos com essa ótica de meros caronistas. Seria pouca visão, o longevo período na torre de marfim ou simplesmente desonestidade intelectual? Ainda não consigo ver outras possibilidades.

Nossa mídia (imprensa escrita e, especialmente, a mídia televisiva) esconde ou deturpa fatos? Oras, basta olhar além-mar para conseguir um pouco de ar fresco. Imprensa de caráter conservador ou mais liberais estão atônitas com o que vem ocorrendo, ou será que dá para colocar a chancela de petralha no prestigiado NY Times, El País ou BBC entre tantos outros. Talvez a Organização dos Estados Americanos também seja petralha. A população quer cidadania, mas não quer vivenciar o trabalho de ser cidadão. Quer dizer, você deseja se informar apenas pelas revistas Veja, Isto É, Exame, Época etc.? É sua prerrogativa. E ao mesmo tempo que escrevo isso para você falo também para quem apenas lê Pragmatismo Político, Revista Fórum, Brasil247 entre outros. Não existe mídia isenta. É uma ingenuidade que não cabe ao Século XXI. Mas você, cidadão bem informado pode existir! Isto é, enquanto o projeto de plano de internet banda larga não passa você pode acessar todo o tipo de informação e criar algo único e que tornará você diferente de qualquer outra pessoa no mundo: um ser com opinião própria.

Quando lecionei minha maior sensação de vitória vinha quando um aluno questionava uma informação ou simplesmente problematizava algo que eu havia falado. A verdadeira função do educador é alimentar a curiosidade do aluno, dar ferramentas para que ele se torne uma pessoa crítica e rica de conhecimento. Alguém que não acredita na primeira peça de informação que cai no colo. A cada vez que eu falo, mentalmente agradeço a todos bons professores que tive: conservadores, liberais, marxistas etc. etc. etc.

Hoje existe a possibilidade de acompanhar via newsletter o que o seu vereador, prefeito, partido de preferência, deputados (estaduais e federais), senadores, governador, presidente da república falam, escrevem… Afora, a possibilidade de acompanha-lo via twitter, facebook e outras redes sociais. Meu mantra sempre foi e sempre será: Seja esquerda, seja centro ou seja direita. Mas antes de tudo seja informado. Quem acompanha verborragia de canais no Youtube e assume como verdade ou tem má vontade ou ainda é somente mais um ignorante. E pera lá, ignorante não é xingamento: ser ignorante é condição mutável. Eu sou ignorante em incontáveis matérias. E quando uma dúvida recai sobre uma dessas matérias eu pesquiso e analiso diversas fontes antes de sair com uma verdade pronta e destilar aos quatro ventos.

Continuarei a luta de fazer a minha voz valer pela de milhões e não estou sozinha. Porque o meu voto vale, assim como de todo os brasileiros. Porque eu não sou uma cidadã de segunda classe, como nenhum brasileiro. Porque a bandeira verde e amarela me representa e sempre me representará. Porque amo meu país. Porque muita gente antes de mim lutou para que eu pudesse falar o que penso. Porque governo impopular não é motivo para derrocada de um presidente. E, principalmente, porque acredito no Estado Democrático de Direito.

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Para saber o que acontece no Senado: Senado Federal

Para saber o que acontece na Câmara: Câmara dos Deputados

Para saber o que acontece na Presidência da República: Planalto

E continuemos a luta!

#Alutacomeçou

snakebites

 

Sobre eudoras
Eudora continua (tentando) rumar à leste...

2 Responses to Por Deus, pela família, por amigos…

  1. Cristina disse:

    Voltou!
    Muito bem refletido! Faço de seus pensamentos ponto de apoio dos meus!

    • eudoras disse:

      Preguiça monstro, perda de senha do wordpress e preguiça monstro. Mas voltando aos bocadinhos…😉

      “Textão” de facebook não funciona. Há momentos em que precisamos desabafar.

      Valeu e snakebites!

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