Win Win

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Então, ultra quick post sobre cinema. “Win Win” sensação do Sundance 2011 e último filme com o meu querido Paul Giamatti está longe de ser uma obra-prima (mesmo comparando com o recente “Cold Souls“), mas merece uma checada.

       

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snakebites

Words are cheap, baby!

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A tragédia dos (ou nos) relacionamentos, o envelhecimento, o sexismo e a fraternidade. Acredito que “O declínio do império americano” (1986) seja um dos melhores exemplares do cinema canadense, bem como seu sucessor, “As invasões bárbaras” (2003), ambos dirigidos por Denys Arcand.

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O filme inicia com uma fala máxima sobre o que muitos das Humanidades ainda não entenderam:

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“Há três coisas importantes na História. Primeira: o número. Segunda: o número. E terceira: o número. Isso significa, por exemplo, que os negros sul africanos… certamente um dia acabarão vencendo… enquanto os negros norte-americanos provavelmente nunca se libertarão. Isso significa também que a História não é uma ciência moral. Os direitos, a compaixão, a justiça são noções estranhas à História.”

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A fala é seca, direta e doída para quem entrou para qualquer curso afim às Ciências Sociais. Mas para alguns sempre restará o terceiro setor (um viva a esses!).

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No meio do filme um dos intelectuais discute o que é o amor e como ele sabe que está amando ou deixando de amar. A conversa, na realidade mais um monólogo é com o personagem mais jovem da trama e, talvez por isso, mais ingênuo, cuja ambição é somente ser feliz.

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“Como nas anotações de Wittgenstein: ‘a única certeza que nos resta… é a capacidade de agir de nosso corpo’. Se amo, eu me excito. Se não me excito, eu não amo”.

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Perto do final do filme, está lá, o jovem ingênuo e inseguro diante do amor (ah, quem não esteve no papel do jovem que atire a primeira pedra!):

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“- Vou vê-la de novo?

– É claro. Por que pergunta?

– Não sei. As coisas que você diz, às vezes não sei o que pensar.

– Words are cheap, baby.

– O que quer dizer?

– Não ouça o que digo, mas me toque.”

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Para encerrar os pequenos excertos que cacei no filme a fala de uma das intelectuais (tinha que existir uma representante do gênero feminino, não?). Eles todos à mesa, saboreando um torta de truta e vinho (hmm), de repente entram num debate sobre a necessidade que as mulheres têm de fazer “cursos”:

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” – Parece que há cursos de culinária criativa no Instituto de Hotelaria.

–  Lulu, não recomece seus cursos!

– Por que não?

– Que mania as mulheres têm de sempre fazer algum curso?

– Não é difícil entender.

– À noite, na Universidade… está cheio de mulheres anotando tudo sobre o espírito de Locarno.

– Sou eu que dou esse curso.

– Eu sei, mas não entendo.”

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[corte para a professora que dá o dito curso relembrando uma de suas aulas]

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“- Por isso censuramos a História por se interessar só pelos vencedores. Mas no fundo é sempre por uma questão de documentação. Temos mais documentos sobre os egípcios que sobre os núbios. Mais sobre os espanhóis que sobre os maias. E mais sobre os homens que sobre as mulheres. Aliás, esta é uma limitação da história. Mas talvez haja um elemento psicológico. No fundo, preferimos ouvir sobre vencedores a ouvir sobre vencidos”.

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Falei sobre o tema noutro post, temos um interesse mórbido pelos vencedores, seja lá qual tenha sido a vitória. A batalha por observar o sucesso. Outro dia assisti “How to lose friends & alienate people” (aqui com a péssima tradução “Um louco apaixonado”), uma dessas comédias britânicas que brinca com a ideia de um inglês desajeitado porém, apaixonado pelo conceito renovado do “american way of life”, isto é, o sucesso a qualquer custo: seja uma celebridade ou seja convidado para as festas que as celebridades oferecem.

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O caminho entre glamour, neon e ser feliz pode apresentar alguns pedregulhos… Mas retomando à vaca fria (saudades do Werneck), há um, dois meses assisti um filme sobre o sucesso alimentado pela fraude. Não me recordo do nome do filme… A estória é praticamente idêntica a de “Kassim the dream“, a diferença é que o protagonista não a vivenciou, mas publicou como tendo feito. Ou seja, nada aconteceu com o rapaz. Ele não foi sequestrado quando criança para lutar, não assassinou ninguém etc. etc. etc. E o livro do sobrevivente vira um best-seller. Até que alguém descobre o engodo. Todos se esquecem do grito de desespero de milhões de africanos que, realmente, vivenciam tal violência para execrar o falsário. Isto é, se não temos o vencedor que desejamos, temos um judas. E a ideia vende tão bem quanto.

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A obra de Denys Arcand merece visitas e revisitas. Cada vez que assisto me perco em novas concepções… e me encanto por novas cenas, novos diálogos.

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entre a academia e os sonhos

“To absent friends, lost loves, old golds, and the season of mist; and may each and every one of us always give the devil his due”. [“Aos amigos ausentes, amores perdidos, deuses antigos e à estação das brumas; e que cada um de nós sempre conceda ao diabo o seu quinhão”.] – O brinde “peculiar” de Hob Gadling em Sandman – Estação das Brumas: um prelúdio.     

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Semana de múltiplos ganhos estéticos.

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Entre azares bestas e sorte infinita. O fato é que nesta semana ganhei presentes de toda sorte. Corrigindo, ganhei o tipo de presente que mais adoro. Livros, quadrinhos e filmes.

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Eu já tenho o Sandman, de Neil Gaiman completo aqui em casa. Todavia, ele está em diversas edições, tem da Globo, Panini e Conrad. E eu sempre fiquei um tanto acabrunhada com isso. Tentei de todas as formas completar a coleção que a Conrad lançou de cada saga. Mas o primeiro volume ficou faltando, e a cada vez que eu olhava pros volumes luxuosos de capa dura meu olhar ficava num misto de enternecimento e frustração quando eu via “Prelúdios & Noturnos” naquela capa mole da Globo (sendo que falta o nº8, sim o da estreia da Morte), nem vou gastar minhas digitais num blah blah blah sobre a diferença na qualidade do papel. Bem, nesta semana decidi que os muitos extras mais a belezura da edição definitiva valiam meus níqueis (afora uma boa promoção da Fnac, é claro!). E, tem dois dias que o Sandman (vol. 1, com 20 números está iluminando a prateleira dedicada a Gaiman e Dave McKean). Felicidade pouca é bobagem amigos! Espero que no próximo mês sobrem novos níqueis e nova promoção para que o volume dois faça companhia ao primogênito…

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E para a semana ficar mais completa ainda (como se precisasse) vi que meus pontos na Fnac possibilitavam uns cinco filmes (sem frete incluso). Ahá. Não que eu me sentisse negligenciada em termos de prendas. Mas, mas, mas… Hm, dei uma olhada na minha lista de desejos (lá da Fnac) e vi que poderia ser agraciada por algumas preciosidades pop.

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Primeiro, “Mermaids” (“Minha mãe é uma sereia”). Mermaids é um filme pop, doce, bobo e muito presente na minha adolescência. Não resisti, mas ainda preciso ter Moonstruck (“Feitiço da lua”). Adoro a Cher. E a opereta da judia que quer ser freira (Wynona Ryder)? Impagável!

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Há anos resisto comprar “Braveheart” (“Coração Valente”), a minha choradeira é incontrolável… O filme é da época em que o Mel Gibson não era um cretino falastrão. Coração Valente é piegas? Tsc, tsc, tsc! É um épico romântico! E diacho, tem a Sophie Marceau encantadora. E a última cena do filme? Quem não sonha em ter esse tipo de coragem? Ou esse tipo de objetivo/propósito, nada nublado? De arrepiar! Freedom!!!!!!!!!!!!

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Nunca me defendi por adorar Grease. É o filme mais alegre de que tenho notícia (o mais colorido também). Eu tenho um exemplar aqui em casa, mas sonhava em ter a edição comemorativa… Mas nunca tive coragem para ver o Grease 2.

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“American Beauty” (“Beleza Americana”), um ótimo filme, mas nunca pensei em comprá-lo. Acho que sou uma cinéfila de atores e não de diretores afinal de contas. E tenho uma senhora queda pelo Kevin Spacey (mesmo antes de ficar imaginando quem seria Keyser Soze). Beleza Americana me ganhou não pela estória do suburbano de meia-idade que reencontra a vitalidade por meio de uma certa efebofilia… mas pelo brilho de Spacey, ele consegue ajustar a perfomance para um brilho contido. Dá pra imaginar algo assim?

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Por fim, Rocky. Não faço a questão de ter os cinco Rocky’s, apesar do “Rocky Balboa” (o último) estar na prateleira (a cavalo dado não se olha os dentes…). Confesso que gosto da estória do medíocre um tanto abrutalhado e ainda assim sensível que está disposto a ganhar o coração de uma mulher e lutar para não perder. Outra coisa, adoro o Burgess Meredith, it doesn’t ring a bell? O Mickey, meus caros! Lembraram? Outra coisa, quem nunca subiu uma escadaria e fez “aquela dancinha da vitória” (e a música então?), dá até vontade de correr. Quem nunca torceu a boca e berrou algum “Adrian!!!” Hein? Clássico, clássico meus amigos!

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vários snakebites, agora é hora de voltar ao textos de pensamento político brasileiro (sim, agora entrei na fase de ler apenas o que me agrada! 2011 está começando pra mim!

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