Aporias, aporias, aporias: Doppelgänger

Paul Klee

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“O querer saber de ver

Sem o outro te ler

Feito sombra à noite

Se perdendo à margem da foice”

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As travessuras humanas: limação do Id

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Há pouco tempo caiu em meu colo (mais) uma crítica acerca de “Strange Case of Dr. Jekyll & Mr. Hyde” (“O médico e o monstro”) e, para variar, o deslize de sempre: primeiro, tratando a obra de Robert Louis Stevenson como clássico de terror (e, não de horror psicológico) e; segundo, valendo-se de uma superficial explicação maniqueísta para desvendar a trama do Doutor benevolente. A estória vai muito além do médico que, valendo-se de conhecimentos químicos procura uma “poção” para aniquilar a perversidade do humano.

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A novela retrata de maneira visceral a dualidade perene e inerente a qualquer ente. A peleja do Doutor desenha-o, por assim dizer, tal qual um Cândido (que Pangloss, que nada!). E, nosso Doutor acredita ser possível extirpar a semente do mal de cada um de nós a partir de um simples gole mágico. Tal debilidade é o elemento que transforma Jekyll em mero espectro ante a contundente presença de Mr. Hyde, isto é, a crença vazia de que é possível moldar o caráter e construir o devir a partir de alquimia. Sabemos como a arrogância de nosso titereiro torna-o inerme diante da moral do século XIX (assim como Victor Frankenstein). Todavia, somos cercados de exemplos da perversidade do humano no momento em que ele se endeusa. Em certa medida – saltando um século – lembra o conto de Philip K. Dick, “The Minority Report”, no sentido de punir o ser antes da ação ou, como “purificar” o que ainda não está “impuro”. De igual monta, como criar a perfeição (bondade) quando seu único espaço é o imaginário e, mesmo assim, não um imaginário coletivo, afinal a acepção do ser perfeito reside em compreensões particulares.

O desejo pela onipotência sempre serviu de força motriz aos fascistas mais narcisistas da História. Embora o caso do Doutor Jekyll parta da premissa de boa vontade (ou do bem universalizante) a verve autoritária está mais do que presente, não?

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São incontáveis os trabalhos relacionados ao homem que procura transmutar o universo de acordo com suas ideias particulares de perfeição. Não acredito em Deus, deus ou qualquer coisa que o valha, porém meu agnosticismo tem um certo poder que não me conduz ao ateísmo circunscrito e, por vezes raivoso. Contudo, ainda assim, parece-me que o caminho para alguma fé espiritual está bem melhor pavimentado do que para alguma fé na humanidade. São tempos de desconstrução derridiana.

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E-book (clique na imagem para download):

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Cândido ou o Otimismo, de Voltaire

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“O médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson (o e-book não está nas melhores diagramações, mas serve para os eebertoon aan macunaima que dispensam uma visita à biblioteca…)

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Boa leitura!

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Ah, tem uma “homenagem” do The Who ao trabalho de Mr. Stevenson. Dê o play!

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The Who – Dr. Jekyll & Mr. Hyde

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Snakebites

Miss Cosmpolitan

Então, sempre ouvi dizer que Cosmpolitan era um drink para moçoilas, principalmente após a onipresença do dito no seriado “Sex & The City”. Puro bla blah blah, tudo depende da sua intenção de pesar a mão (ou  não) no mundo adocicado… Ontem à noite coloquei à prova. Nunca havia tomado e sou uma pessoa mais bourbon, mas não posso negar que a taça de martíni, fatia mínima de limão mais a cor do drink sempre me fascinaram. Consegui (e nem a muito custo) parceria (valeu PP!) para realizar a empreitada. Digo empreitada porque, embora seja um tanto glamouroso sentar num bar e pedir um drink digno da feitura de um(a) bartender, acho muito mais interessante o fazer. Entre erros e acertos de um processo que fica entre cópia e criação o que vale é o papo e as bebericagens (dos acertos e erros) entre amigos, certo?

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Bien, procurei a receita e encontrei zilhões de opções. Mas antes de indicar a que farei mais tarde, aqui vai um preito, um pequeno tributo às mulheres dos anos 70’s: a invenção do Cosmopolitan é atribuída a uma bartender, senhorita Cheryl Cook (ok, e mais outros dois caras). Ah, apenas a título de curiosidade técnica e histórica, o drink utiliza a técnica sour (criada pelo bartender estadunidense Jerry Thomas no final do século XIX), a técnica consiste em misturar um destilado, suco de frutas cítricas e triple-sec  (licor cítrico incolor).

Caso a pessoa seja fã de algo mais adocicado é só aumentar a dosagem do suco de cranberry, caso contrário pode-se falar  qualquer coisa em relação ao Cosmopolitan, menos que seja algo parecido com Alexander ou Meia de Seda…

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Ingredientes:

* Coqueteleira

* Taça de martini

* Gelo

* Sumo de limão (20 ml)

* Vodka (60 ml)

* Triple-sec [Cointreau, por exemplo] (20 ml)

* Suco ou xarope de cranberry (ou, no limite, groselha) 30 ml

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Modo de preparo:

Coloque gelo na taça. Ponha na coqueteleira gelo, sumo de limão,  triple-sec,  vodka, suco de cranberry. Chacoalhe vigorosamente e voilá! Filtre o resultado, retire o gelo da taça e enfeite como desejar, com cereja, casca de limão ou laranja. Simples e fantástico para as noites quentes do interior paulista e além…!

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snakebites!

Ah, para preguiçosos de plantão já existe a versão industrializada (espero que a Sarah Jessica Parker esteja faturando algum…):

eebertoon aan macunaíma no talo

Bem, outro quick post. Sim, ando preguiçosa pra escrever, mas tenho conseguido ler bastante, uma hora aponto por aqui as venturas e maravilhas criadas e pensadas por Sérgio Milliet. Serei eu a primeira a berrar que o cara foi um gênio discreto? Nah, o Antônio Cândido passou em minha frente… Mas eu pensei nisso antes de ler os escritos dele sobre o Milliet… Hmpf. Antônio Cândido? Eu não poderia estar melhor acompanhada!

 

O quick post nada tem a ver com Milliet. Hoje fiquei emputecida (ou putésima? whatever!) com a minha mais recente redescoberta. O metrô paulistano é mais barato do que o ônibus. Já anotei em outro momento o meu enfurecimento com tal realidade. Acho que ambos são carésimos (R$ 2,90 metrô e R$ 3,00 buzão) em relação ao salário médio nominal do trabalhador paulistano (segundo a Fundação SEADE aproxima-se de R$ 960, 00)… Mas quem me explica o motivo desses R$ 0,10 entre um transporte e o outro? Afora que o metrô é mais limpo, rápido etc. etc. etc.

 

Nunca venho me divertir em sampa e desta vez não será diferente, mas acho que darei um refresco por aqui… Visitinhas ao Segall, Reserva, Outlet da Fnac aqui do lado (esperar pra quê?). E cafés mil no Starbuck’s…

 

Snakebites

Geração YZ…

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Acho que tenho alguns genes da geração Y (atualmente chamada Z). Sim, essa garotada que quer tudo para anteontem e que está mais antenada no virtual do que no real. Tenho notado uma certa ansiedade, uma coisa de não conseguir esperar um, dois dias a mais.

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Recordo-me de como as coisas eram há 10, 15 anos. Ok, eu já usava e-mail, mas ainda recebia e enviava cartinhas via correios. E aguardar uma cartinha era algo de fantástico. Eu sabia o horário do “meu” carteiro (rs). E era sempre o mesmo carteiro (!), nunca cheguei a travar uma conversa de verdade com ele, lamento por essa desatenção (ou insensibilidade). O amarelinho foi o portador das missivas mais queridas, esperadas e, vez por outra, perfumadas (recebia carta até com aroma de chocolate!).

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Não mais me correspondo por cartas, essa tal de internet aliviou parcela da ansiedade, mas aniquilou um pouco do romantismo… E fez surgir uma nova ansiedade, no momento rôo* a pouca queratina dos dedos e fico pirando pelos produtinhos que deveriam brotar, crescer e cair nas minhas mãos em menos de 24 horas, isto é, aqueles pedidos online.

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Agora, quando fico pra receber o que quer que seja meus dias mudam de figura e a cada carro eu silencio a casa inteira pra conseguir ouvir o “novo carteiro” no meu portão (a shivosa só apresenta uma manifestação mais efusiva quando conhece quem está do outro lado do portão) Aff!

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* Tive que consultar o pai de todos os burros… Confesso que a dúvida quase me consumiu (rs). Ah, provavelmente o vocábulo perdeu o acento, mas tenho até 2012 pra me ambientar (por enquanto só não tenho acentuado ideia, europeia e outros ditongos abertos de paroxítonas. Na verdade, foram as únicas que consegui “decorar” hehe).

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Apenas a título de curiosidade (honestamente? eu não me lembrava de tantos tempos verbais…):

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Presente do Indicativo

Pretérito Perfeito

Pretérito Imperfeito do Indicativo

Pretérito Mais-que-perfeito

eu rôo

tu róis

ele rói

nós roemos

vós roeis

eles roem

eu roí

tu roeste

ele roeu

nós roemos

vós roestes

eles roeram

eu roía

tu roías

ele roía

nós roíamos

vós roíeis

eles roíam

eu roera

tu roeras

ele roera

nós roêramos

vós roêreis

eles roeram

Futuro do Presente

Futuro do Pretérito

Presente do Subjuntivo

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

eu roerei

tu roerás

ele roerá

nós roeremos

vós roereis

eles roerão

eu roeria

tu roerias

ele roeria

nós roeríamos

vós roeríeis

eles roeriam

eu roa

tu roas

ele roa

nós roamos

vós roais

eles roam

eu roesse

tu roesses

ele roesse

nós roêssemos

vós roêsseis

eles roessem

Futuro do Subjuntivo

Imperativo Afirmativo

Infinitivo Pessoal

Gerúndio

eu roer

tu roeres

ele roer

nós roermos

vós roerdes

eles roerem

rói tu

roa ele

roamos nós

roei vós

roam eles

eu roer

tu roeres

ele roer

nós roermos

vós roerdes

eles roerem

roendo

Particípio

roído

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snakebites

Mais uma quarta não muito inspirada

Acordei num estado excessivamente blergh, para não fugir ao espírito ultra-boring da quarta-feira nossa de cada semana e pagar a língua sobre o que tenho falado do Thom Yorke resolvi aquiescer e deixar o geist do dia mais insosso da semana entrar em casa.

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Ontem à noite precisei assistir “Being Human” (o da BBC, claro) para dormir, achei que fosse bastar, não bastou. Tasquei um daqueles velhos episódios da “Liga da Justiça” (aquele mesmo que passava no SBT). Enfim adormeci, mas acordei hoje com uma sensação estranha, sentimento de ausência de algo inominável, não sei como, mas quando dei por mim estava com “Kaputt”, do Curzio Malaparte em mãos. Não foi o bastante, fiquei relendo algo que não me enlaçou e nem fez meu cérebro formigar há 15, 16 anos. Por que agora seria diferente? Nada mudou em relação à descoberta da minha genealogia e continuo tendo mais interesse histórico na Primeira do que na Segunda Guerra (nem vem que a idiossincrasia é minha!).

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Procurei no google pra ver se alguém estava tentando filmar a vida do Malaparte: nada (acredito piamente em mensagens subliminares e afins). Motivação para o presente post? Registrar aqui minha insatisfação com a nulidade (talvez pela minha ignorância cinéfila, mas vá lá) de filmes a partir da ótica do Eixo. É sempre a mesma história quando se trata da Segunda Guerra… Há tratamentos inovadores, como os incríveis “Train de vie” “e “Inglorious basterds”, mas no mais é sempre a mesma mão que conduz ideia e, finalmente, o roteiro. É, tô mal humorada mesmo. [respirando pausadamente e entoando meu mantra: “always look on to the bright side”]

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Antes de mais nada, tenho verdadeiro horror a qualquer tipo de fascismo, colonialismo, política genocida e insanidades de igual quilate. Mas falta, ainda falta, a percepção do outro lado. A questão do “Outro” instiga demais esta escriba, mas reafirmo: não acredito que haja algo a entender (sentido de lógica, por favor!) a respeito dos genocidas do Eixo, não há justificativa ou compreensão a ser oferecida por eles. Mas eu tenho interesse na história dos perdedores (se bem que algumas crias conseguiram se multiplicar e disseminar a ideologia neo-nazi, isto é, ainda existem alguns pequenos monstros para deixar marcas mais do que profanas por aí). Não penso que a história dos vencedores invalide a história dos vencidos, mas ele ainda precisa ser contada. E, ao contrário de Richard Williamson, não tenho dúvida alguma a respeito do Holocausto.

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Bem, retomando à vaca fria… Não sei muito bem a razão de ter lançado olhos pra “Kaputt”… Depois de duas horas de leitura sobre o terror do nazi-fascismo por uma das vozes dele… Meneei em slow motion a cabeça, como é dado aos seres que só avançam no tranco ou na banguela e segui em derrocada. Ou melhor, deixei “The Eraser”, do Thom Yorke, engolir a casa. Na última semana falei mal dele e isso ficou entranhado em mim, fiz coisa feia? A resposta veio em lamento musical, de repente bateu uma vontade tremenda de cair pra ouvir um dos “losers” mais endinheirados desde os anos 90’s…

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É acho que estou precisando ver a Liga da Justiça arrebentar com um punhado de vilões para animar esta quarta-feira absurdamente ensolarada e barulhenta e, mesmo assim, ultra morosa… Preciso voltar ao que existe de mais caipira…

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alguns  snakebites

pequena independência…

liberdade

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Meses atrás eu falei aqui sobre a sensação de independência de ter conseguido formatar o note e reinstalar o Windows de maneira correta. Ganhei outra porção de liberdade hoje.

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Bien, há dois dias a torneira da lavanderia deu pití e resolveu soltar água para todos os lados. Eu não estava no espírito de fazer um exame mais minucioso do que havia acontecido, muito menos com vontade de aguardar a boa vontade de algum encanador (ô raça!) e menos ainda de gritar por socorro aos amigos com mais habilidade (o que não é algo tão difícil) nos consertos domésticos. Tomei a atitude mais preguiçosa (em termos) de todos os tempos: quando eu precisava de água o registro era acionado, após o uso eu fechava o dito. Pra não mexer na “coisa” eu ficava indo e vindo do quintal… Patético, hoje tudo mudou.

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Hoje me lembrei do Marcelo falando sobre quando sentiu a vida adulta tomar forma e/ou tornar-se um homem de família: quando a responsabilidade da caixa de ferramentas recaiu sobre ele. Eu também tenho uma caixa de ferramentas e não posso passar a responsabilidade de conserto para dona shivosa. Ou seja, tenho duas formas de resolver o problema: esperar pelo encanador (ô raça!) ou acreditar no meu parco talento em desmembrar coisas e juntá-las novamente. Coloquei alguma fé em mim, abri a torneira para tentar ver o que aconteceu. Sabe aquele mané que não entende nada de carro, mas ainda assim no momento em que o carro o deixa na mão o feliz abre o capô, aspira a fumaça, coça a cabeça e ainda tenta fazer cara de entendido? Pois é, fiquei grata por não haver fumaça. De qualquer forma, sempre ouvi dizer que 99,9% dos problemas “torneirais” resume-se a um único fator: o courinho (que na realidade é de plástico… não estou a fim de buscar a etimologia do vocábulo, ok?). Cacei um courinho na caixa de ferramentas e diacho, foi “pá-pum”: troquei e o pinga pinga que resultaria posteriormente num desperdício de recurso natural plus uma conta infeliz pro meu bolso em alegria: independência para não cair na inadimplência!

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 torneira

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vários snakebites

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ps – perda terrível pro rock n’ roll, mas qual o problema dos rockstars? Gary Moore † ontem.

 

Led Zeppelin: em quantas músicas Plant não fala “baby”?


fonte: http://whiplash.net/materias/humor/122774-ledzeppelin.html

snakebites

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