Aporias, aporias, aporias: Doppelgänger

Paul Klee

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“O querer saber de ver

Sem o outro te ler

Feito sombra à noite

Se perdendo à margem da foice”

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As travessuras humanas: limação do Id

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Há pouco tempo caiu em meu colo (mais) uma crítica acerca de “Strange Case of Dr. Jekyll & Mr. Hyde” (“O médico e o monstro”) e, para variar, o deslize de sempre: primeiro, tratando a obra de Robert Louis Stevenson como clássico de terror (e, não de horror psicológico) e; segundo, valendo-se de uma superficial explicação maniqueísta para desvendar a trama do Doutor benevolente. A estória vai muito além do médico que, valendo-se de conhecimentos químicos procura uma “poção” para aniquilar a perversidade do humano.

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A novela retrata de maneira visceral a dualidade perene e inerente a qualquer ente. A peleja do Doutor desenha-o, por assim dizer, tal qual um Cândido (que Pangloss, que nada!). E, nosso Doutor acredita ser possível extirpar a semente do mal de cada um de nós a partir de um simples gole mágico. Tal debilidade é o elemento que transforma Jekyll em mero espectro ante a contundente presença de Mr. Hyde, isto é, a crença vazia de que é possível moldar o caráter e construir o devir a partir de alquimia. Sabemos como a arrogância de nosso titereiro torna-o inerme diante da moral do século XIX (assim como Victor Frankenstein). Todavia, somos cercados de exemplos da perversidade do humano no momento em que ele se endeusa. Em certa medida – saltando um século – lembra o conto de Philip K. Dick, “The Minority Report”, no sentido de punir o ser antes da ação ou, como “purificar” o que ainda não está “impuro”. De igual monta, como criar a perfeição (bondade) quando seu único espaço é o imaginário e, mesmo assim, não um imaginário coletivo, afinal a acepção do ser perfeito reside em compreensões particulares.

O desejo pela onipotência sempre serviu de força motriz aos fascistas mais narcisistas da História. Embora o caso do Doutor Jekyll parta da premissa de boa vontade (ou do bem universalizante) a verve autoritária está mais do que presente, não?

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São incontáveis os trabalhos relacionados ao homem que procura transmutar o universo de acordo com suas ideias particulares de perfeição. Não acredito em Deus, deus ou qualquer coisa que o valha, porém meu agnosticismo tem um certo poder que não me conduz ao ateísmo circunscrito e, por vezes raivoso. Contudo, ainda assim, parece-me que o caminho para alguma fé espiritual está bem melhor pavimentado do que para alguma fé na humanidade. São tempos de desconstrução derridiana.

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E-book (clique na imagem para download):

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Cândido ou o Otimismo, de Voltaire

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“O médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson (o e-book não está nas melhores diagramações, mas serve para os eebertoon aan macunaima que dispensam uma visita à biblioteca…)

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Boa leitura!

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Ah, tem uma “homenagem” do The Who ao trabalho de Mr. Stevenson. Dê o play!

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The Who – Dr. Jekyll & Mr. Hyde

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Snakebites

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entre a academia e os sonhos

“To absent friends, lost loves, old golds, and the season of mist; and may each and every one of us always give the devil his due”. [“Aos amigos ausentes, amores perdidos, deuses antigos e à estação das brumas; e que cada um de nós sempre conceda ao diabo o seu quinhão”.] – O brinde “peculiar” de Hob Gadling em Sandman – Estação das Brumas: um prelúdio.     

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Semana de múltiplos ganhos estéticos.

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Entre azares bestas e sorte infinita. O fato é que nesta semana ganhei presentes de toda sorte. Corrigindo, ganhei o tipo de presente que mais adoro. Livros, quadrinhos e filmes.

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Eu já tenho o Sandman, de Neil Gaiman completo aqui em casa. Todavia, ele está em diversas edições, tem da Globo, Panini e Conrad. E eu sempre fiquei um tanto acabrunhada com isso. Tentei de todas as formas completar a coleção que a Conrad lançou de cada saga. Mas o primeiro volume ficou faltando, e a cada vez que eu olhava pros volumes luxuosos de capa dura meu olhar ficava num misto de enternecimento e frustração quando eu via “Prelúdios & Noturnos” naquela capa mole da Globo (sendo que falta o nº8, sim o da estreia da Morte), nem vou gastar minhas digitais num blah blah blah sobre a diferença na qualidade do papel. Bem, nesta semana decidi que os muitos extras mais a belezura da edição definitiva valiam meus níqueis (afora uma boa promoção da Fnac, é claro!). E, tem dois dias que o Sandman (vol. 1, com 20 números está iluminando a prateleira dedicada a Gaiman e Dave McKean). Felicidade pouca é bobagem amigos! Espero que no próximo mês sobrem novos níqueis e nova promoção para que o volume dois faça companhia ao primogênito…

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E para a semana ficar mais completa ainda (como se precisasse) vi que meus pontos na Fnac possibilitavam uns cinco filmes (sem frete incluso). Ahá. Não que eu me sentisse negligenciada em termos de prendas. Mas, mas, mas… Hm, dei uma olhada na minha lista de desejos (lá da Fnac) e vi que poderia ser agraciada por algumas preciosidades pop.

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Primeiro, “Mermaids” (“Minha mãe é uma sereia”). Mermaids é um filme pop, doce, bobo e muito presente na minha adolescência. Não resisti, mas ainda preciso ter Moonstruck (“Feitiço da lua”). Adoro a Cher. E a opereta da judia que quer ser freira (Wynona Ryder)? Impagável!

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Há anos resisto comprar “Braveheart” (“Coração Valente”), a minha choradeira é incontrolável… O filme é da época em que o Mel Gibson não era um cretino falastrão. Coração Valente é piegas? Tsc, tsc, tsc! É um épico romântico! E diacho, tem a Sophie Marceau encantadora. E a última cena do filme? Quem não sonha em ter esse tipo de coragem? Ou esse tipo de objetivo/propósito, nada nublado? De arrepiar! Freedom!!!!!!!!!!!!

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Nunca me defendi por adorar Grease. É o filme mais alegre de que tenho notícia (o mais colorido também). Eu tenho um exemplar aqui em casa, mas sonhava em ter a edição comemorativa… Mas nunca tive coragem para ver o Grease 2.

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“American Beauty” (“Beleza Americana”), um ótimo filme, mas nunca pensei em comprá-lo. Acho que sou uma cinéfila de atores e não de diretores afinal de contas. E tenho uma senhora queda pelo Kevin Spacey (mesmo antes de ficar imaginando quem seria Keyser Soze). Beleza Americana me ganhou não pela estória do suburbano de meia-idade que reencontra a vitalidade por meio de uma certa efebofilia… mas pelo brilho de Spacey, ele consegue ajustar a perfomance para um brilho contido. Dá pra imaginar algo assim?

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Por fim, Rocky. Não faço a questão de ter os cinco Rocky’s, apesar do “Rocky Balboa” (o último) estar na prateleira (a cavalo dado não se olha os dentes…). Confesso que gosto da estória do medíocre um tanto abrutalhado e ainda assim sensível que está disposto a ganhar o coração de uma mulher e lutar para não perder. Outra coisa, adoro o Burgess Meredith, it doesn’t ring a bell? O Mickey, meus caros! Lembraram? Outra coisa, quem nunca subiu uma escadaria e fez “aquela dancinha da vitória” (e a música então?), dá até vontade de correr. Quem nunca torceu a boca e berrou algum “Adrian!!!” Hein? Clássico, clássico meus amigos!

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vários snakebites, agora é hora de voltar ao textos de pensamento político brasileiro (sim, agora entrei na fase de ler apenas o que me agrada! 2011 está começando pra mim!

O véu de ignorância

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Não posto há tempos. Talvez nem tenha postado algo neste março de 2011. Não é sem motivos, meu note deu pau (oscilação de energia) e algo muito ruim com um trem chamado FAT aconteceu, todos os meus arquivos estão desesperados atrás de salvação, ainda não sei se ela virá. De qualquer forma estou transcrevendo todos os manuscritos de caráter acadêmico para o PC. A vida era mais fácil com a minha dura doce Olivetti-Tropical, apesar de minha ausência de talento como datilógrafa (e muitos dedos ralados por conta disso), a única preocupação em perder um texto era pelo fogo (e eu também não tenho talento para a pirofagia, tampouco sou piromaníaca … ) Ah, bons e velhos tempos. Eu já deveria ter aprendido que o único bote para me salvar das intempéries modernosas é o tal do backup. Fica pra próxima. Já deixei um post-it grudado na CPU para evitar danos futuros [a vida agora é em nuvem].

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Hm, explicando o título do post. Hoje fiquei com Rawls na cabeça, martelando tudo o que o danado me apresentou. Não, nada tenho com a propalada “teoria da justiça”. Para falar a verdade, nem sei onde alocar o Rawls. Ciência Política ou Filosofia Moderna? (provavelmente subsistem outras opções não escrutinadas por esta escriba)

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Bem, quando fui estudar o Halls (sorry, piada interna e nem por isso menos besta… eu sei!) encontrei o conceito de “véu de ignorância” e confesso que fiquei surpresa. Foi o primeiro texto após um ano de Ciência Política (o curso, meus caros, o curso!) que procurava fazer uma abordagem mais imagética e lírica da teoria. E eu sou dessas pessoas que precisam conseguir enxergar pra entender (deficiência minha, eu sei… ok?). Acho que não me falta imaginação sociológica, mas noutros campos não tenho me saído de maneira muito razoável. Bem, voltando ao véu:

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Observem a “bacanosidade” da ideia de Rawls: Imaginem desconhecer tudo, do mundo social às preferências pessoais. Ah, vocês também não tem o conhecimento da concepção de bem. Agora imaginem que a situação envolva todas as pessoas, daí o “véu de ignorância”, todos estão sob ele. Em tal situação hipotética Rawls apresenta a “posição inicial de igualdade” (logo de oportunidades também)… Não sou especialista no tema (distância anos luz), mas a ideia de que, ao ignorar a posição social o indivíduo passe também a se identificar com qualquer outra pessoa tem seu charme, não?  A concepção distributiva vem a reboque… Ai, tô com canseira mental…  E, embora minha intimidade com a Ciência Política esteja engatinhando, acho que algo de bom está acontecendo.

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Ah, dica cinéfila pra qualquer dia e hora, mas para ambas faz-se necessário um estômago menos sensível:

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Fargo (1996) – sem dúvida um dos melhores filmes dos irmãos Cohen. Saiu naquela Coleção Folha (vhs), lembram? Deixei de ter videocassete e passei a fita pra frente. Arrependimento doloroso, quantas vezes não morri de vontade de voltar a Fargo e assistir um William H. Macy abestalhado e uma Poirot Frances McDormand? Mas nada de encontrar a peça nas videolocadoras. Mês passado a Fnac me brindou com a possibilidade de consumo de  algumas preciosidades (R$ 9,90 o filme!) e Fargo estava lá! [desnecessário dizer, mas a Fnac não me dá quaisquer vinténs, apenas gasto meus parcos níqueis por lá… e de vez em quando consigo acumular o suficiente de pontos para um dvdzinho, um cdzinho e por aí fica… rs].

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Sinopse: Homem não muito esperto, atolado em dívidas. Macy faz um revendedor de carros que trabalha na empresa do sogro, para virar a mesa o danado decide ganhar uma graninha pra montar o próprio negócio. Como? Sequestrando a própria esposa. Como? Chamando dois bandidos, um deles interpretado pelo sempre incrível Steve Buscemi. Daí é uma comédia de erros com a dose de humor negro (e sangue, claro) dos irmãos Cohen. Pedida perfeita… E, o sotaque? Pedida perfeita. Tenho uma fraco pelos irmãos Cohen, até hoje eles só me tiraram de linha (pra xingamento) com a obra de estreia (“Gosto de sangue”), no mais… os caras são uma pedida perfeita (hm, acho que já falei isso… rs).

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A outra dica, não tem humor, mas o estômago potente continua sendo útil para chegar ao “The End”, trata-se de “The Machinist”, acredito que aqui tenha sido traduzido para “O operário”. Em uma das raras ocasiões em que não fui presenteada com roupas ou bebidas (!).

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The Machinist (2004) – “o” filme de Christian Bale como ator (e não foi por ele ter perdido quase 30 quilos pra fazer o filme, ok? Bale está maravilhoso). Sabe aquele filme que você achou fantástico, mas ficou com a sensação de cabo de guarda-chuva na boca? Bem, eu tenho isso com vários filmes. Demoro pra conseguir assistir novamente “Requiém para um sonho”, por exemplo, do – atualmente – muito cultuado Darren Aronofsky, tem o propósito de te deixar desconfortável e faz isso de maneira brilhante. Enfim…

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Bem, voltando ao Operário. Assisti (assim como Fargo, apenas uma vez) e a sensação de ressaca veio antes do letreiro. Pra ser honesta, a primeira cena do filme já diz a que veio. Só de fechar os olhos já “sinto” uma iluminação lúgubre e percebo um tom azul-esverdeado-cinza assustador. O filme é dirigido por Brad Anderson. Quem? Estou com vocês, também não conheço outros trabalhos do cara.

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Sinopse – O personagem de Bale não dorme há praticamente um ano (ele está destroçado física e mentalmente). Pra somar tragédia à vida que leva, o emprego dele consiste em mexer com maquinário pesado. A ausência de sono derruba completamente a sua percepção de mundo/realidade e o que vemos é uma escalada de horror psicológico, paranoia…  O drama ganha ainda mais intensidade quando um colega de trabalho perde um braço e ele começa a questionar tudo (e todos) ao seu redor. >

snakebites

Oscar, comida para lonely ones & livro bônus

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Lembro-me de quando varava a madrugada assistindo a cerimônia do Oscar, sempre muito chata, longa e, normalmente, previsível no que concerne às premiações. De uns anos para cá deixei o glamour do tapete vermelho do Kodak Theatre para outros insones.  No máximo, o que atrai minha  atenção no dia seguinte (via jornais e tevê) são os looks (cabelos e vestidos). Quem conseguiu arrancar da memória aquele “vestido” que a Björk usou na premiação de 2001? Meu sub-consciente, vez por outra, ainda faz renascer (literalmente) aquele cisne em sonhos nada fofos…

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Neste Oscar de 2011, nem os looks conseguiram lançar alguma faísca ou formigamento. A única coisa bacana é o movimento “pós-Oscar”. Somente com a aquisição do peladão dourado é possível fazer alguns filmes entrarem no circuito caipira. Verdade, por aqui não é qualquer blockbuster que consegue permissão para entrar nas salinhas. Perdi “Biutful”, o filme sequer passou de uma semana em cartaz… (ok, a culpa foi minha). Mas se eu quiser endemonizar meus olhos e mente, o Justin Bieber conseguirá fazer isso por “mais de mês”, quer apostar? De qualquer forma, mesmo que não tenha vencido, acho que finalmente conseguirei assistir “True Git” (“Bravura Indômita”), dos irmãos Coen. Dedos cruzados!

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Culinária

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Bem, apesar de andar muito ressabiada com frango (o que vai à mesa, não o bicho, propriamente dito) por conta dum documentário assustador sobre o uso de hormônios nos penosos. Tenho matutado à beça sobre isso. Já restringi o consumo de carne vermelha praticamente a zero (o blah blah blah dos antibióticos e afins ministrado nos bichos organizou um “apavoramento mental”), agora teria que tirar o frango da dieta? E ainda tem a questão de metais nos peixes.

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Ok, já consumo (ainda que não muito feliz) proteína texturizada de soja, mas será que viverei à base daquilo pra sempre? Ok, ok, ok existe o tal do selo verde, indicando um caminho mais saudável no trato e preparo dos penosos, mas o preço ainda tá muito salgado. Também há a questão dos pesticidas e outros blahs em vegetais e legumes. Diacho, essa tal de modernidade vai acabar me fazendo viver de luz? Oh no, peralá, ainda tem há a problemática do sol e seus efeitos nocivos. Está cada vez mais complicado se alimentar e não ter a sensação de culpa ou mesmo ficar com certas preocupações…

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AFF! Acho que desligarei a coisa do politicamente correto e deixarei as preocupações em suspenso… Por que falei das comidinhas proibitivas segundo o mundo verde? Bem, porque encontrei a receita abaixo. De repente, saber que o franguinho tem mais hormônios do que eu perdeu um pouco da importância… [clique na imagem e você será redirecionado ao site em que achei a receita e muitas outras delícias rápidas].

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Frango recheado com espinafre

Ingredientes

4 filés de frango

1 maço de espinafre
2 dentes de alho
azeite
sal
pimenta do reino preta moída
palito de dente

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Passo a Passo

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1. Comece levando ao fogo para ferver, uma panela com água. Enquanto aquece, retire as folhas do espinafre e jogue os talos fora.

2. Coloque as folhas na água quente e deixe por 3 minutos. Escorra e pique o espinafre.

3. Em uma frigideira, coloque um fio de azeite, o alho já picado e doure. Em seguida coloque o espinafre, deixe secar por uns 5 minutos e tempere com sal e pimenta.

5. Pré aqueça o forno em 180º C.

6. Agora vamos rechear o frango. Abra os filés já temperados com sal e pimenta e coloque um pouco de recheio, varia a quantidade com o tamanho do filé, mas não coloque muito. Vá enrolando o filé até formar um rocambole de frango e prenda com palitos de dente.

7. Em uma assadeira, coloque um outro fio de azeite e disponha os filés enrolados e presos no palito, sempre com a parte onde foi fechada para baixo.

8. Asse por 20 minutos ou até dourar levemente em cima e está pronto!

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Ainda não testei a receita, mas acho que não tem como dar errado, preciso dar um pulo no supermercado e revitalizar minha geladeira… (rs). Não estou pronta pra voltar a ter carne em casa, mas franguinho é sempre mui bueno e voltará a ser bem-vindo.

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Entre estantes

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Hm, mudando totalmente de assunto, por renovar a assinatura da Folha de S. Paulo ganhei “Um certo capitão Rodrigo”, do Érico Veríssimo, da coleção “Folha – Grandes Escritores Brasileiros”. A Folha já foi bem mais generosa em termos de prêmios, bônus etc. e tal, mas confesso que fiquei entusiasmada. Confesso também que minhas prateleiras não conhecem obra alguma do grande Érico Veríssimo. Outra confissão (um tanto mais óbvia pra quem acompanha os posts daqui) é que nem me lembro da última sensação de encantamento por um romance nacional. Duvido que o Veríssimo-Pai não seja capaz de me seduzir. Interessante oportunidade de mudança de perspectiva literária (e geográfica) e que ainda serve como homenagem à literatura gaúcha que perdeu ontem Moacyr Scliar, um dos contistas mais ilustres da Terra de Pindorama – ok, ele não era somente um contista, mas era a verve que eu mais admirava. Homenagem torta, eu sei, mais ainda assim homenagem, né?

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snakebites

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ps -> só para continuar a registrar meu medinho: será que dá pra passar a Copa & Olimpíadas pra outro interessado? Camaradas, não tô nem falando da grana que vai escoar pra bolsos já bem abarrotados de notas de todas as raças e cores, mas caramba, alguém viu o estado que o Morumbi ficou ontem (SPFC 1 x 1 Palmeiras, pelo Paulista)? Isto é, se no melhor estádio de São Paulo aconteceu aquele charabiá todo, imaginem o que pode ocorrer com os outros estádios feitos às pressas?? Medo, medo, medo – pavor, pavor, pavor – terror, terror, terror…! A única coisa boa é que o mês das festividades esportivas não ocorre em períodos de chuva, mas eu desconfio de tudo, sacam “aquecimento global”? Doideira climática? É pois é… Toc-toc-toc!

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ps 2 -> estão botando reparo no Liedshow? Cingo jogos, sete gols? A felicidade não está só ali na frente, a coisa está se firmando, ficando bonita de se ver… Será que rola uma performance a la 2009? hein?

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novos snakebites

Mais uma quarta não muito inspirada

Acordei num estado excessivamente blergh, para não fugir ao espírito ultra-boring da quarta-feira nossa de cada semana e pagar a língua sobre o que tenho falado do Thom Yorke resolvi aquiescer e deixar o geist do dia mais insosso da semana entrar em casa.

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Ontem à noite precisei assistir “Being Human” (o da BBC, claro) para dormir, achei que fosse bastar, não bastou. Tasquei um daqueles velhos episódios da “Liga da Justiça” (aquele mesmo que passava no SBT). Enfim adormeci, mas acordei hoje com uma sensação estranha, sentimento de ausência de algo inominável, não sei como, mas quando dei por mim estava com “Kaputt”, do Curzio Malaparte em mãos. Não foi o bastante, fiquei relendo algo que não me enlaçou e nem fez meu cérebro formigar há 15, 16 anos. Por que agora seria diferente? Nada mudou em relação à descoberta da minha genealogia e continuo tendo mais interesse histórico na Primeira do que na Segunda Guerra (nem vem que a idiossincrasia é minha!).

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Procurei no google pra ver se alguém estava tentando filmar a vida do Malaparte: nada (acredito piamente em mensagens subliminares e afins). Motivação para o presente post? Registrar aqui minha insatisfação com a nulidade (talvez pela minha ignorância cinéfila, mas vá lá) de filmes a partir da ótica do Eixo. É sempre a mesma história quando se trata da Segunda Guerra… Há tratamentos inovadores, como os incríveis “Train de vie” “e “Inglorious basterds”, mas no mais é sempre a mesma mão que conduz ideia e, finalmente, o roteiro. É, tô mal humorada mesmo. [respirando pausadamente e entoando meu mantra: “always look on to the bright side”]

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Antes de mais nada, tenho verdadeiro horror a qualquer tipo de fascismo, colonialismo, política genocida e insanidades de igual quilate. Mas falta, ainda falta, a percepção do outro lado. A questão do “Outro” instiga demais esta escriba, mas reafirmo: não acredito que haja algo a entender (sentido de lógica, por favor!) a respeito dos genocidas do Eixo, não há justificativa ou compreensão a ser oferecida por eles. Mas eu tenho interesse na história dos perdedores (se bem que algumas crias conseguiram se multiplicar e disseminar a ideologia neo-nazi, isto é, ainda existem alguns pequenos monstros para deixar marcas mais do que profanas por aí). Não penso que a história dos vencedores invalide a história dos vencidos, mas ele ainda precisa ser contada. E, ao contrário de Richard Williamson, não tenho dúvida alguma a respeito do Holocausto.

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Bem, retomando à vaca fria… Não sei muito bem a razão de ter lançado olhos pra “Kaputt”… Depois de duas horas de leitura sobre o terror do nazi-fascismo por uma das vozes dele… Meneei em slow motion a cabeça, como é dado aos seres que só avançam no tranco ou na banguela e segui em derrocada. Ou melhor, deixei “The Eraser”, do Thom Yorke, engolir a casa. Na última semana falei mal dele e isso ficou entranhado em mim, fiz coisa feia? A resposta veio em lamento musical, de repente bateu uma vontade tremenda de cair pra ouvir um dos “losers” mais endinheirados desde os anos 90’s…

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É acho que estou precisando ver a Liga da Justiça arrebentar com um punhado de vilões para animar esta quarta-feira absurdamente ensolarada e barulhenta e, mesmo assim, ultra morosa… Preciso voltar ao que existe de mais caipira…

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alguns  snakebites

54º Prêmio World Press de Fotografia

Selecionei algumas fotos do 54º Prêmio World Press de Fotografia, algumas são chocantes (não que algumas aqui também não sejam fortes), quem quiser ver todas dê uma olhada no link ao final do post.

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Antigo mercado de Porto Príncipe, foto de Riccardo Venturi (Itália)

2

Observando a metrópole, foto de Martin Roemers (Holanda)

3

Protesto em Bangcoc, foto de Corentin Fohlen (França)

4

Julian Assange (Wikileaks), foto de Seamus Murphy (Irlanda)

5

Britânico Thomas Daley (trampolim de 3 m), Jogos Olímpicos da Juventude em Singapura, foto de Adam Pretty

6

Lutadoras bolivianas (Carmen Rosa e Yyulia la Pacena), foto de Daniele Tamgni (Itália)

7

Homem carregando tubarão em Mogadíscio (Somália), foto de  Omar Feisal

8

Desfile de Valeria Marini, semana de moda em Milão, foto de Davide Monteleone (Itália)

9

Iêmen, refugiados dormindo no deserto, foto de Ed Ou (Canadá)

10

Tour da Eritreia, foto de Chris Keulen (Holanda)

11

Salto de suicida em Budapeste, foto de Peter Lakatos (Hungria)

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Coloquei as duas fotos mais fortes para abrir e encerrar este post. Entretanto, reside uma dúvida acerca da última foto, o homem já estava em chamas e por isso pulou? Sendo essa a alternativa não dá para anunciá-lo como suicida, não é? Em outra alternativa, pensando que ele tenha ateado fogo às próprias vestes, o pulo seria para efeito dramático (para a família, amigos, noiva etc.), desespero motivado pela dor ou para ter a certeza absoluta e irrefutável de que não sobreviveria? Não é sarcasmo não, mas fiquei com a dúvida.

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Créditos das imagens acima e link para ver todas as fotos: http://goo.gl/aefmz

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Primeiro Ah. Ah, em relação a “Megamind”, não apontarei a animação como decepcionante, embora tenha um tanto ficado frustrada. Quando aprenderei a relaxar com a coisa da expectativa? Alguns filmes têm um trailer muito superior ao filme em si (caso de Megamente), mas ficou aquela sensação: vilão por vilão que depois se torna herói fico com “Meu malvado favorito” (Despicable me).

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Segundo Ah. Ah, hoje assisti o mais do que sofrível “As viagens de Gulliver”. É tudo ruim: os diálogos, a performance de Jack Black fazendo o mais do mesmo (tá na hora de se reinventar, meu filho!) e, principalmente, os efeitos especiais. Sabem as viagens espaciais do Chapolim Colorado? Pois é, algo desse naipe. Quer ver uma releitura deliciosa de Gulliver? Vá até a livraria mais próxima e compre o fantástico Gullivera, do sempre genial Milo Manara (+/- R$ 30,00). Ah, outra coisa em relação ao Jack Black, gosto dele pacas, mas acho que para fazer filme tosco desse jeito é melhor voltar as atenções pro Tenacious D.

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Rezaram pro Dio enquanto assistiam Kickapoo? Eu rezei do jeito rock n’ roll! Air guitar rules baby!

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obs – como não tenho uma categoria para fotografias, decidi deixar este post no “entre estantes”, afinal os premiados provavelmente serão publicados em livro. não criei uma categoria porque apenas gosto de fotos (não dá para ser mais amadora do que eu neste quesito). não tenho como comentar sobre a luz, sombra e muito menos fazer qualquer menção a possíveis referências… não que eu seja uma expert nas outras coisas que posto aqui, mas eu consigo falar sobre qualquer uma delas por meia hora sem parar pra respirar, já fotografia… talvez eu consiga por meio minuto (meu otimismo é imortal, meus caros).

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snakebites

quarta freak

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Não preparei meu espírito para esta quarta-feira. Já mencionei em outro post a relação tortuosa que tenho com as quartas: a única coisa que salva a srta. insossa é o futebol. Bem, o jogo ainda está rolando (43:37), 2 x 0 para o Deportes Deportivo Tolima e o Corinthians acabou de “perder” um jogador porque o Sr. Ramirez não consegui ficar um maldito minuto em campo.

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Não sei se o ano será um fiasco para o – atualmente – nada Poderoso Timão, mas o que se anuncia não é nada bom. Em termos de qualidade técnica o time está uma verdadeira piada (a exceção fica por conta do goleiro Júlio César, ando irritada até com o Jucilei e Jorge Henrique, meus diletos). Veremos o que acontecerá no domingo (brrr Palmeiras brrr). Fingers crossed!

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Pulando do futebol para outros assuntos: LITERATURA, daquele tipo que você não precisa fichar (aleluia irmão!), no máximo anotar uma passagem interessante. Hm, mentira! Terminei de ler “Só Garotos” (Just Kids) da roqueira-poetisa-musa mais adorada desta escriba: PATTI SMITH. Agora sou obrigada a adicionar outro título: prosadora/novelista/romancista, enfim como preferirem, desde que a menção tenha o signo de fabulosa ou fantástica (talvez os dois seja mais justo).

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Patti Smith & Eu – Primeiro encontro:

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Quando ouvi “Easter” pela primeira vez… Não, minha iniciação não foi ouvindo, foi vendo a capa do álbum:

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Eu tinha uns 14, 15 anos e fiquei intrigada por aquela mulher desgrenhada e com as axilas nada depiladas. O inverso de como a imagem feminina (ainda) é vendida, promovida. A capa falou pra mim: “eu sou completa, eu sou livre e não há nada de errado nisso, não pedirei desculpas por ser eu mesma” (alguma lembrança de “Jesus died for somebody’s sins but not mine“?).

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Peguei o álbum e escolhi pra começar Rock n’ roll nigger. Violenta, crua, doída, ácida. Eu fiquei apaixonada instantaneamente (existe outro tipo de paixão?). E a primeira impressão que tenho dela tem as mesmas qualidades da música: violenta, crua, doída, ácida.

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Quando vi que sairia “Só garotos” imaginei uma auto-biografia da mesma monta. Não, nada disso: eu li vi uma Patti muito maior. A ideia que eu fazia dela foi transmutada, pra dizer o mínimo. Eu vi uma mulher terna, encantada pelo mundo das artes (as que existem e as que ela sonhou e ainda sonha) e, especialmente, encantadora. Ao ler parecia que ela estava ao meu lado contando a estória da sua vida, todos os desejos e anseios: A fuga para algo além do universo quase rural que ela vivia para a cintilante Nova York. Sem grana, sozinha e sem ter a menor ideia de como se ajeitar. Apesar do cenário desolador ela não se abate e pelas mãos da fortuna encontrou um amor para toda vida: Robert Mapplethorpe. A maneira como os dois se apoiam e se unem para transformar a própria existência em arte é algo único. A narrativa é tocante, Patti está lá, toda exposta para nós contando o que é amar outra pessoa (e amar o processo de criação do outro como seu).

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Fui passar dois dias em sampa, comprei o livro segunda-feira à noite. Folheei para ver as fotos de Robert e de sua musa e alucinei pela capa, o mundo www não possibilita a compreensão de como ela consegue ser fosca e, ao mesmo tempo, brilhante (nos dois sentidos). Majestosa e delicada. Tem que ter o livro em mãos para saber do que estou falando (minha paixão por livros não é “somente” pelo conteúdo).

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Terça-feira voltando pro meu mundo caipira ganhei quatro horas para devorar um pedaço do livro. Normalmente fico enjoada quando leio no ônibus, desta vez meu enjôo só principiou quando desci na parada pra tomar um café.

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Eu quis fazer anotações de inúmeras passagens, mas são tantas e tão incríveis! No meio do livro decidi que precisaria relê-lo com mais tranquilidade (ou menos fome de Patti). Estou com vontade de fazer uma playlist das pessoas musicais que ela cita no livro e usá-la como trilha sonora para a viagem que “Só Garotos” é. Tim Hardim, por exemplo, só fui descobrir e me deliciar no ano passado…! O livro é repleto de referências (muitas ainda desconhecidas).

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ps 1 – quem quiser se encontrar com a Patti terá um aprendizado além da estética familiar que o nome dela evoca (música, poesia, prosa, artes gráficas etc.)…  É algo transcendental. Kant não nos diz que a estética transcendental é uma ciência que agrupa todos os princípios da sensibilidade (ou algo assim? Filosofia nunca esteve perto de ser a minha praia). Acho que a Patti Smith é um pedaço disso e talvez um pouco mais…

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ps 2 – não se perca em certas “ilusões”: o livro é sobre os anos de formação dela e de Robert Mapplethorpe como artistas (no sentido mais lato do termo), isto é, os anos da juventude… Embora a fama ainda não esteja presente na vida do casal é possível observar incontáveis ícones da música, literatura e artes plásticas passando por eles (veja aqui um exemplo). Hey, Chelsea Hotel, diz algo a você? O mundo aconteceu por lá.  Lembra da música? A geração dos anos 60 para 70 teve que passar por lá.

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ps 2.1 – a fase posterior (de ambos) já foi mais do que escrutinada, não? Ou seja, não espere por algo parecido com o livro de Keith Richards (pode ser muito interessante, como a crítica especializada vem apregoando, mas os trechos que vi até agora remetem a um catálogo de fofocas, nada contra. Todavia, não pago para saber o tamanho do “pacote” de Mr. Jagger).

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ps 3 – para os aventureiros outra coisa a ser dita, eu os desafio a não se arrepiarem quando ela conta sobre o primeiro show “de verdade” que ela fez (tem a presença  de… Mr. Maior Poeta Americano do Século XX).

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ps 4 – a figura com as mãos no início deste post? ah, inspirada nos processos de transformação e desconstrução (êta Derrida!), de Robert como artista, eu quis apontar minha “nervosidade” relacionada ao futebol fragmentando um trabalho dele (a visão dele do alfabeto surdo-mudo), você consegue imaginar o que está escrito? Algumas “letras” não correspondem exatamente ao supracitado alfabeto.

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snakebites

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