Dando uma garibada na imagem do Sarney (tá barato pra caramba!)

Do blog de Tutty Vasques:

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“Calma aí, gente! Antes de aderir a essa nova gritaria por conta do emprego de dinheiro público em assessoria técnica especializada para melhorar a imagem do Sarney, o brasileiro indignado – ô, raça! – devia primeiro ouvir o diagnóstico da Prole Consultoria em Marketing, empresa contratada para o desafio por R$ 24 mil. Pra começo de conversa, que garantias ela oferece de êxito na execução do serviço?

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Se, ainda que com grana do contribuinte na parada, os caras derem uma boa guaribada no senador, vamos combinar que, como diz a propaganda, tá barato pra caramba! Nem precisa dourar a pílula, basta dissolvê-la em chá de sumiço: não há malfeito nos jornais que aos olhos do leitor não pareça menos grave sem a presença de Sarney entre os denunciados.

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O brasileiro pode até não esperar grandes mudanças no homem público que o ex-presidente sempre foi, mas se neste ano que falta para sua anunciada aposentadoria política os marqueteiros que estamos ajudando a pagar conseguirem ao menos restringir sua exposição midiática, pensa bem: não seria bom pra todo mundo? Muito mais até pra nós – ele já nem parece se importar mais com a frequência absurda com que seu nome é atirado no ventilador.

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Sempre achei meio ridículo esse negócio de argumentar a favor de alguma coisa com base na “relação custo/benefício”, mas confesso que, no caso, faz sentido. Conheço gente disposta, inclusive, a participar de uma nova vaquinha para dobrar o cachê da Prole, caso ela consiga divulgar três boas notícias protagonizadas por Sarney.

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Não ri, não! Na sexta-feira passada, corria nos portais de jornalismo a informação de que o célebre político maranhense “decidiu acabar com a farra dos passaportes diplomáticos no Senado”. >

Snakebites e quem sabe hoje numa celebração? #TodoPoderoso

Bonecão de Olinda’s Special

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Li nalgum site de música que “Macaco Bong” deveria ser escutado e compartilhado. Baixei o álbum “Artista igual pedreiro” e não me apaixonei pelo som porque – como tantos outros discos – demorei horrores para escutar. Entretanto, ontem a Bonecão de Olinda retificou minha posição: “Escute porque é bom demais!”. É a mesma amiga que me apresentou Portishead. E sem desconfiança coloquei o som pros meus vizinhos ficarem um pouco mais irritados comigo. Macaco Bong é um power trio de Cuiabá que faz um rock instrumental psicodélico de primeira linha. Compartilho abaixo com vocês! Aproveitem!

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Para conhecer um pouco mais o pessoal do Macaco Bong: http://www.myspace.com/macacobong

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E no papo de música continuaremos nosso blah-blah-blah. Acredito que na adolescência eu curtia uma ou duas músicas do Faith No More e quem diria que um dia eu gostaria daquele escroque do Mike Patton?  Pois é, o danado resolveu fazer um álbum de música italiana. Hm, direi a verdade: baixei somente por curiosidade, pensando em como ele estragaria algumas pérolas da terra da bota. Ledo engano! Mondo Cane é pra vovó, titio e pra você, camarada rocker sem preconceitos!

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Caso você queira saber um pouquinho sobre os caminhos do vocalista do FNM para fazer algo tão especial: http://www.revistaogrito.com/page/blog/2010/07/04/critica-mike-patton-mondo-cane/

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pesquisa de opinião, reflete o quê?

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Num post sobre pesquisa de opinião expressei, como tantos outros, o descrédito no formato das pesquisas de opinião. Hoje o processo é similar, mas noutra vertente. Dando uma olhada nas enquetes da FSP as perguntas mais cretinas pululavam e, sem muita introdução ao assunto. Mas o que me levantou a sobrancelha foram os resultados. Numa pesquisa há um apoio praticamente maciço para que as prostituas de Bonn (antiga capital da Alemanha Ocidental) paguem imposto por meio de um parquímetro (60% a 40%). Não entrarei no mérito do ridículo, mas da surpresa do resultado. Tenho dito que o conservadorismo está ganhando em todas as frentes. Até entendo que os cidadãos mais do que “respeitáveis” e “honestos” queiram punir de alguma forma as pessoas da vida “fácil“.

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Formamos a nação mais hipócrita de que se tem notícia. Há país com a alegria mais desnuda durante os festejos de carnaval? Onde tudo é permissivo permitido? Compreendido, mas não entendido o resultado da enquete. Deparei-me com outra questiúncula (imagem acima): “Nova York começou a celebrar os primeiros casamentos entre gays depois que entrou em vigor a lei que permite a união no Estado. Você apoia essa medida?”  Resultado: 58% não e 42% sim. Confesso ter pleno conhecimento de como a receptividade para uma possível implementação na esfera federal por aqui não seria das mais harmônicas (imaginem a revolta beata que se daria na Avenida Paulista!).

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Mas meu pensamento rondava outro espectro: qual é o público da FSP online nos dias atuais? Há muito que é impraticável pensar num grupo de leitores identificados ideologicamente segundo o jornal lido, correto? O OESP era da direitaça e a Folha de um pessoal um pouco mais à esquerda, correto? Minhas caraminholas dizem que o tipo de enquete reflete um padrão para agradar um público determinado: o conservador e os nossos “tea party” estão em todas as esquinas. Até no formato da pergunta! Recordo-me das horas gastas procurando organizar questões que não direcionassem a resposta. A ideia (minha ideia) era descobrir algo, não me sujeitar ao que eu gostaria de encontrar.

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Despeço-me ao som de “Caminito”, Gardel!

 

 

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Win Win

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Então, ultra quick post sobre cinema. “Win Win” sensação do Sundance 2011 e último filme com o meu querido Paul Giamatti está longe de ser uma obra-prima (mesmo comparando com o recente “Cold Souls“), mas merece uma checada.

       

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Words are cheap, baby!

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A tragédia dos (ou nos) relacionamentos, o envelhecimento, o sexismo e a fraternidade. Acredito que “O declínio do império americano” (1986) seja um dos melhores exemplares do cinema canadense, bem como seu sucessor, “As invasões bárbaras” (2003), ambos dirigidos por Denys Arcand.

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O filme inicia com uma fala máxima sobre o que muitos das Humanidades ainda não entenderam:

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“Há três coisas importantes na História. Primeira: o número. Segunda: o número. E terceira: o número. Isso significa, por exemplo, que os negros sul africanos… certamente um dia acabarão vencendo… enquanto os negros norte-americanos provavelmente nunca se libertarão. Isso significa também que a História não é uma ciência moral. Os direitos, a compaixão, a justiça são noções estranhas à História.”

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A fala é seca, direta e doída para quem entrou para qualquer curso afim às Ciências Sociais. Mas para alguns sempre restará o terceiro setor (um viva a esses!).

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No meio do filme um dos intelectuais discute o que é o amor e como ele sabe que está amando ou deixando de amar. A conversa, na realidade mais um monólogo é com o personagem mais jovem da trama e, talvez por isso, mais ingênuo, cuja ambição é somente ser feliz.

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“Como nas anotações de Wittgenstein: ‘a única certeza que nos resta… é a capacidade de agir de nosso corpo’. Se amo, eu me excito. Se não me excito, eu não amo”.

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Perto do final do filme, está lá, o jovem ingênuo e inseguro diante do amor (ah, quem não esteve no papel do jovem que atire a primeira pedra!):

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“- Vou vê-la de novo?

– É claro. Por que pergunta?

– Não sei. As coisas que você diz, às vezes não sei o que pensar.

– Words are cheap, baby.

– O que quer dizer?

– Não ouça o que digo, mas me toque.”

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Para encerrar os pequenos excertos que cacei no filme a fala de uma das intelectuais (tinha que existir uma representante do gênero feminino, não?). Eles todos à mesa, saboreando um torta de truta e vinho (hmm), de repente entram num debate sobre a necessidade que as mulheres têm de fazer “cursos”:

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” – Parece que há cursos de culinária criativa no Instituto de Hotelaria.

–  Lulu, não recomece seus cursos!

– Por que não?

– Que mania as mulheres têm de sempre fazer algum curso?

– Não é difícil entender.

– À noite, na Universidade… está cheio de mulheres anotando tudo sobre o espírito de Locarno.

– Sou eu que dou esse curso.

– Eu sei, mas não entendo.”

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[corte para a professora que dá o dito curso relembrando uma de suas aulas]

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“- Por isso censuramos a História por se interessar só pelos vencedores. Mas no fundo é sempre por uma questão de documentação. Temos mais documentos sobre os egípcios que sobre os núbios. Mais sobre os espanhóis que sobre os maias. E mais sobre os homens que sobre as mulheres. Aliás, esta é uma limitação da história. Mas talvez haja um elemento psicológico. No fundo, preferimos ouvir sobre vencedores a ouvir sobre vencidos”.

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Falei sobre o tema noutro post, temos um interesse mórbido pelos vencedores, seja lá qual tenha sido a vitória. A batalha por observar o sucesso. Outro dia assisti “How to lose friends & alienate people” (aqui com a péssima tradução “Um louco apaixonado”), uma dessas comédias britânicas que brinca com a ideia de um inglês desajeitado porém, apaixonado pelo conceito renovado do “american way of life”, isto é, o sucesso a qualquer custo: seja uma celebridade ou seja convidado para as festas que as celebridades oferecem.

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O caminho entre glamour, neon e ser feliz pode apresentar alguns pedregulhos… Mas retomando à vaca fria (saudades do Werneck), há um, dois meses assisti um filme sobre o sucesso alimentado pela fraude. Não me recordo do nome do filme… A estória é praticamente idêntica a de “Kassim the dream“, a diferença é que o protagonista não a vivenciou, mas publicou como tendo feito. Ou seja, nada aconteceu com o rapaz. Ele não foi sequestrado quando criança para lutar, não assassinou ninguém etc. etc. etc. E o livro do sobrevivente vira um best-seller. Até que alguém descobre o engodo. Todos se esquecem do grito de desespero de milhões de africanos que, realmente, vivenciam tal violência para execrar o falsário. Isto é, se não temos o vencedor que desejamos, temos um judas. E a ideia vende tão bem quanto.

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A obra de Denys Arcand merece visitas e revisitas. Cada vez que assisto me perco em novas concepções… e me encanto por novas cenas, novos diálogos.

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snakebites

 

Botão direito do mouse não funciona no menu iniciar



Novamente um quick post sobre as pequenas barreiras da vida informática. Hoje fui utilizar o botão direito do mouse no menu iniciar e nada de abrir a janela com as opções para mexer num determinado programa. O incrível é que o botão direito só não funcionava no menu iniciar. Cacei respostas no São Google e, como sempre, o santo foi generoso e a solução é simples. Vejamos:

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1. Selecione as Propriedades do Menu Iniciar (clique com o botão direito do mouse na área azul):

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2. Nas Propriedades selecione Personalizar:

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3. Em Personalizar selecione a opção “Ativar o recurso arrastar e soltar”. Dê ok, aplicar e novamente ok:

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Problema resolvido? Ao buscar a solução trombei com outro problema que me pareceu comum a muitos usuários: “menu iniciar desaparecido” / “a ausência de ícones no menu iniciar” / “opção todos os programas do menu iniciar não aparece”. Caso um desses seja o seu problema aqui vão alguns links que talvez auxiliem na correção:

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http://www.vistax64.com/tutorials/144277-start-menu-all-programs-list-enable-disable.html (em inglês)

http://pplware.sapo.pt/truques-dicas/dica-recupere-o-seu-menu-iniciar-no-win-7/

http://answers.microsoft.com/pt-br/windows/forum/windows_7-files/op%C3%A7%C3%A3o-todos-os-programas-do-menu-iniciar-n%C3%A3o/d6f9bea7-24fc-4d3d-93ee-02774ad2bf8f

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Boa sorte!

snakebites!

Aporias, aporias, aporias: Doppelgänger

Paul Klee

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“O querer saber de ver

Sem o outro te ler

Feito sombra à noite

Se perdendo à margem da foice”

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As travessuras humanas: limação do Id

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Há pouco tempo caiu em meu colo (mais) uma crítica acerca de “Strange Case of Dr. Jekyll & Mr. Hyde” (“O médico e o monstro”) e, para variar, o deslize de sempre: primeiro, tratando a obra de Robert Louis Stevenson como clássico de terror (e, não de horror psicológico) e; segundo, valendo-se de uma superficial explicação maniqueísta para desvendar a trama do Doutor benevolente. A estória vai muito além do médico que, valendo-se de conhecimentos químicos procura uma “poção” para aniquilar a perversidade do humano.

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A novela retrata de maneira visceral a dualidade perene e inerente a qualquer ente. A peleja do Doutor desenha-o, por assim dizer, tal qual um Cândido (que Pangloss, que nada!). E, nosso Doutor acredita ser possível extirpar a semente do mal de cada um de nós a partir de um simples gole mágico. Tal debilidade é o elemento que transforma Jekyll em mero espectro ante a contundente presença de Mr. Hyde, isto é, a crença vazia de que é possível moldar o caráter e construir o devir a partir de alquimia. Sabemos como a arrogância de nosso titereiro torna-o inerme diante da moral do século XIX (assim como Victor Frankenstein). Todavia, somos cercados de exemplos da perversidade do humano no momento em que ele se endeusa. Em certa medida – saltando um século – lembra o conto de Philip K. Dick, “The Minority Report”, no sentido de punir o ser antes da ação ou, como “purificar” o que ainda não está “impuro”. De igual monta, como criar a perfeição (bondade) quando seu único espaço é o imaginário e, mesmo assim, não um imaginário coletivo, afinal a acepção do ser perfeito reside em compreensões particulares.

O desejo pela onipotência sempre serviu de força motriz aos fascistas mais narcisistas da História. Embora o caso do Doutor Jekyll parta da premissa de boa vontade (ou do bem universalizante) a verve autoritária está mais do que presente, não?

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São incontáveis os trabalhos relacionados ao homem que procura transmutar o universo de acordo com suas ideias particulares de perfeição. Não acredito em Deus, deus ou qualquer coisa que o valha, porém meu agnosticismo tem um certo poder que não me conduz ao ateísmo circunscrito e, por vezes raivoso. Contudo, ainda assim, parece-me que o caminho para alguma fé espiritual está bem melhor pavimentado do que para alguma fé na humanidade. São tempos de desconstrução derridiana.

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E-book (clique na imagem para download):

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Cândido ou o Otimismo, de Voltaire

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“O médico e o Monstro”, de Robert Louis Stevenson (o e-book não está nas melhores diagramações, mas serve para os eebertoon aan macunaima que dispensam uma visita à biblioteca…)

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Boa leitura!

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Ah, tem uma “homenagem” do The Who ao trabalho de Mr. Stevenson. Dê o play!

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The Who – Dr. Jekyll & Mr. Hyde

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Snakebites

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