Conhecimento(s)

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Quando um conceito se esvazia? Isto é, a ideia permanece, mas em qual “empoeirada estante social”?

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Não tenho sido uma aluna exemplar (ou caxias) e tenho uma torrente de justificativas para tanto. A primeira vez que ouvi falar em “capital cultural” e “participação cívica” foi durante o terceiro ano de graduação (o melhor, por sinal). Embora o tema me interessasse eu não me direcionei aos estudos mais aprofundados sobre o assunto. Todavia, há algumas semanas, durante um seminário, tomei contato com a obra “Pai Rico Pai Pobre” (Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter). O argumento do livro me assustou e tenho pensado nele desde então, ainda não consegui formular uma crítica razoável, tamanho o incômodo causado. Não li o livro, apenas estou presumindo que a apresentação tenha sido criteriosa. A partir dessa desculpa esfarrapada retomo o problema: a espinha do livro é o motor do mundo – não, infelizmente não é o amor -, mas o dinheiro, ou melhor: a busca frenética pela maximização dos lucros, mas aqui (no livro) em escala mais privada, digamos assim.

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A pergunta central aniquila quem vive pela (ou da) Educação: “De que adianta tantos anos de estudos se você não consegue traduzir o tempo gasto em mais riqueza?” Assustador, não? No livro, o pai rico é aquele empreendedor (ô palavra mais gasta!) que não perde qualquer oportunidade que se lance aos seus olhos e braços, no limite seria um Sílvio Santos (pena o referido agora não servir de tão bom exemplo). Já o pai pobre é aquele professor universitário de classe média (todos conhecemos alguns, não?), culto, mas que não tem uma compreensão de como transformar conhecimento em capital. Qual seria então a importância do capital cultural?

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Trecho da primeira página:

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“Um dia, em 1996, um dos meus filhos chegou em casa decepcionado com a escola. Estava aborrecido e cansado de estudar.

– Por que tenho que perder tempo estudando coisas que nunca aplicarei na vida real? – protestou. Sem pensar, respondi:

– Porque se você não tiver boas notas, você não vai entrar na faculdade.

– Mesmo que não entre na faculdade – replicou – vou ficar rico.” (para ler o livro clique aqui)

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Não me entendam mal, gosto do ambiente acadêmico (até consigo – na maior parte das vezes – sentir-me à vontade, mas ainda sou uma estudante… é claro), entretanto, consigo perceber a riqueza de conhecimento além dos muros universitários. Tenho certeza de que você também conhece indivíduos mais inteligentes do que muitos acadêmicos (nah, não estou fazendo referência ao incrível Jacob Gorender, ok? O papo aqui é outro). O que me angustia verdadeiramente é a desfaçatez ao conhecimento adquirido ao longo de vários anos. Ainda estou anos-luz de ser uma intelectual, mas é para isso que encaminho a minha vida.

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Ok, os administradores terem uma nova bíblia (ou auto-ajuda financeira, hey… o termo não é meu!). Também não tenho nada contra a ter mais dinheiro no banco, nada contra ao ensino de economia na escola. Não tenho nada contra isso, mas tenho muito coisa contra a quem escreve que para ficar rico os estudos não precisam ser privilegiados. Já são tantos exemplos clássicos da Terra 616: esportes, mil variantes do entretenimento etc. e tal. Precisávamos de mais ingrediente ao caldo de apatia? Não é possível mesclar o mundo? Cinza não é a melhor cor, mas definitivamente a ideia soa melhor do que ou preto ou branco, não é?

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Ah, para quem se interessa o sítio Terra de Direitos lançou o 2º Caderno de Direitos Humanos, Justiça e Participação Social. Leia o arquivo em pdf.

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snakebites

indolência de final de ano….

O que existe de mais democrático, ainda que distribuído de maneira desigual é o sonho. Democrático porque todo ente possui as ferramentas para executar, desigual em função da quantidade de tempo para executar o dito.

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Nunca precisei de muitas horas para “realizar” diversos processos rem descabidos, mas ultimamente a coisa anda fora de controle. Sonhei algo desnecessário. Existe sonho desncessário? Existe sim quando você dispende matéria onírica com o universo sociológico básico. Meu sonho teve base no mundo real ou universitário (sei lá!). Na semana passada auxiliei uma amiga a fazer um ensaio sobre a tripartição de poderes de Monstesquieu, assunto que me levou a 2000 e os três porquinhos da Ciência Política (será que a Antropologia tem seus três porquinhos?). Na noite passada fui visitada por Comte, autor não muito analisado no meu curso (e acho que a culpa nem foi minha…), pra falar a verdade acho que compreendendo a essência do positivismo e sua influência no pensamento brasileiro tá bom demais (sem querer desmerecer demasiadamente).

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Todos já leram algum livro, filme (ou coisa que o valha) que faça referência a três espíritos (Passado, Presente e Futuro) que visitam você para assombrá-lo no intuito de apresentar como suas atitudes têm sido equivocadas (ou inermes, who knows?). A moral da opereta? Você tem tempo para se tornar uma pessoa melhor. O que o pobre do Comte tem com a pequena ópera? Bem, fui em meu querido rem visitada por Augustinho (não, não foi ele que se apresentou assim, mas era assim que eu o chamava) e ele me carregou tal qual Morpheus e me levou aos três Estados dele! Diacho, eu não mereço um sonho (in)decente? Ou ainda algo que me auxilie a organizar minha tese? Ter uma jam session com o Slash? Não! Não! Não! Eu tenho o Augustinho me falando da sua “lei”! Em suma, sonho deveras frustrante, acompanhar o “figura” durante os tais três (ô número!) estágios da humanidade…pra arrebetar: acordar com uma garoinha besta e possuir a certeza de que a diversão acadêmica me aguarda.

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snakebiteless

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Ah, a cara do “Augustinho”:

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Auguste Comte

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sonho fantástico, não?

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